Mais uma missão para o velho Sam Fisher

DegustaçãoTom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist

Análise de Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist - Um jogo simples e objetivo como a muito eu não jogava.

autor Rafael "Tchulanguero" Paes
datahora 01/09/2017 às 15:16:02   tagarelices 2

Um jogo simples e objetivo como a muito eu não jogava.


Jogos de tiro e temáticas de guerra não estão entre as minhas preferências, mas eventualmente alguns títulos que abordam essas coisas acabam entrando no meu radar por um motivo ou outro. Por outro lado, mecânicas de stealth me atraem bastante, motivo pelo qual eu gosto de séries como Metal Gear Solid e Deus Ex. Então não é de se estranhar que eu tenha me interessado por Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist, ainda que muito tardiamente e sem nenhuma bagagem da série.

A primeira impressão que eu tive sobre o jogo é como ele me pareceu velho. E não pelos gráficos datados, que buscavam um realismo impossível para os consoles na época de seu lançamento, mas por toda a sua estrutura. Um jogo de tiro em terceira pessoa, em que você vai jogando por fases com caminhos bem limitados, hoje em dia soa um pouco estranho pela falta de costume. Por diversas vezes eu me vi tentando fazer um trajeto impossível, até perceber que havia uma barreira invisível em dado ponto.

Porém essa estrutura mais engessada não tornou minha experiência necessariamente ruim, muito pelo contrário. Na verdade, foi muito bom voltar a jogar algo que não me deixe maluco atrás de trocentos objetivos simultâneos espalhados por um mapa gigantesco. As fases mais contidas e segmentadas fizeram com que eu pudesse focar mais na ação sem me preocupar muito com qualquer outra coisa.

Splinter Cell Blacklist - Interface do jogo

Não que Blacklist não possua coisas extras a fazer, como encontrar pendrives e computadores com informações sigilosas, ou capturar algum inimigo para extrair informação. Mas eram objetivos que no final das contas serviam apenas para conseguir mais dinheiro para a compra de equipamentos, então eu raramente desviava do meu caminho para ir atrás de tais coisas, o que mais uma vez ajudou muito a me manter mais focado nas missões do jogo.

Talvez aí que Blacklist tenha me perdido um pouco, em seus equipamentos. Sam Fisher, o protagonista da história, é um agente especial trabalhando para o governo americano, com toda sorte de tecnologia e armamento ao seu dispor, desde que você tenha dinheiro suficiente para comprá-los, o que é conquistado ao terminar as fases e cumprir certos objetivos. Acontece que raramente eu me sentia impelido a utilizar os equipamentos secundários que me eram dados, mesmo os básicos que já acompanham o agente no inicio de sua aventura, salvo os óculos especiais. Apesar de eu eventualmente utilizar alguma bugiganga ou outra, no final das contas eu me vali muito mais da tática de derrubar os inimigos um a um sorrateiramente do que qualquer outra coisa.

Splinter Cell Blacklist - recurso de marcar e executar alvo automaticamente

E nisso o jogo se saí muito bem, ao premiar o jogador de acordo com o seu estilo de jogo, seja lá qual ele for. Claro que o principal é o de você invadir os lugares se fazendo perceber o menos possível, chamado de "modo fantasma", mas nada impede de você partir diretamente para o tiroteio desenfreado com os inimigos no "modo assalto", ou fazer como eu citei acima, derrubar os inimigos um a um no "modo pantera". O legal é que tudo isso não é instituído de uma maneira rígida, você simplesmente age como quiser durante as fases, e no final é recompensado com pontos para cada estilo.

Não somente em estrutura, mas a jogabilidade de um modo geral também funciona muito bem. Assim como é comum no gênero, é possível se esconder em diversos lugares, se pendurar em canos, atrair inimigos e tudo o mais para nocauteá-los sofrendo o mínimo de dano. O recurso de poder "marcar" pessoas e drones, e eventualmente eliminá-los de maneira automática também ajuda bastante, mas de modo equilibrado o suficiente para que o jogo não se torne fácil demais. Eu pessoalmente demorava muito tempo nas fases para conseguir passar pelos guardas ou eliminá-los, me valendo das táticas mais absurdas para conseguir sobrepujar os meus adversários, sempre com medo de morrer antes de alcançar o próximo checkpoint, algumas vezes inconvenientemente distantes demais, e ter que fazer tudo novamente. Chegou em um nível em que eu já havia entendido as falhas da inteligência artificial o suficiente para quebrá-las propositalmente e alcançar os objetivos, o que foi bem divertido no final das contas.

Isaac Briggs, Sam Fisher, Anna Grímsdóttir e Charlie Cole
Os membros principais da equipe: Isaac Briggs, Anna Grímsdóttir, Sam Fisher e Charlie Cole.

Talvez o ponto mais baixo do jogo seja a sua história, tão batida de filmes americanos que seguem a linha de "EUA x Terrorismo". Além de seguir o grande clichê patriótico americano, não há nenhuma profundidade no que está sendo exposto, mesmo com as tentativas falhas de colocar conflitos pessoais influenciando nas decisões tomadas pelo grupo para as missões. O pior é que todos os personagens também seguem grandes clichês do gênero, incluindo a figura do hacker que dá apoio às missões, e o próprio Sam Fisher, sendo aquele soldado meio arrogante em busca de vingança, mas que no final resolve tudo. Eu não poderia me importar menos com os acontecimentos e qualquer personagem daquela trama, o que me ajudou também a jogar dublado em português sem me importar com a qualidade mediana das vozes. Felizmente, embora o jogo tente se apoiar na história para criar motivação para o jogador, a vontade de passar as fases por si só é suficiente para sustentar o jogo.

Grim armada
Alguém me explica porque diabos essa mulher anda armada o tempo todo dentro de um avião militar? Em um trecho da história, ela recebe os personagens após uma missão de arma em punho, sem nenhum motivo.

O título ainda possuí diversas missões secundárias e interações online, cooperativas e competitivas, que no final das contas servem apenas como uma forma de conseguir mais dinheiro e desbloquear novos equipamentos para compra, o que eu ignorei por não ser o meu estilo e não senti que foi algo que me fez falta na campanha principal, o que foi ótimo.

No final das contas, embora eu não tenha achado Splinter Cell: Blacklist nenhum jogo absurdamente incrível, ele me foi agradável o suficiente em termos de mecânicas e dificuldade para me divertir durante a empreitada de Sam Fisher e sua equipe. Em tempos de jogos de mundo aberto com centenas de objetivos, que não me entendam mal, eu também adoro, foi bom ter um descanso em uma aventura mais objetiva.

Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist
Tom Clancy’s Splinter Cell: Blacklist

* * * * .  Blacklist é um bom jogo de ação e stealth, com mecânicas bem resolvidas e equilibradas, que fazem com que a jogabilidade como um todo funcione de maneira bem prazerosa, a despeito de sua história clichê e personagens bidimensionais. A estrutura de fases soa um poco datada por não ser muito vista atualmente, mas torna as sessões mais contidas e direcionadas. A forma com que ele considera o seu estilo de jogo e te premia de acordo, também é algo que sobressai sobre outros jogos do gênero.
Avaliado no Wii U
(entenda o nosso sistema de notas)


Séries: Tom Clancy’s Splinter Cell e Tom Clancy’s
Estúdio: 
Plataformas: PlayStation 3, Wii U, Windows e Xbox 360
4

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  • avatar de helisonbsb
    helisonbsb
    04/09/2017 às 22:02:24
    ¨Porém essa estrutura mais engessada não tornou minha experiência necessariamente ruim, muito pelo contrário. Na verdade, foi muito bom voltar a jogar algo que não me deixe maluco atrás de trocentos objetivos simultâneos espalhados por um mapa gigantesco.¨ As vezes eu também prefiro jogo assim. Gosto muito desse estilo de jogo e do estilo de jogar!!!! show de bola!!!! valeu

    • avatar de Rafael "Tchulanguero" Paes
      Rafael "Tchulanguero" Paes
      04/09/2017 às 22:38:21   localizacao Vespasiano - MG
      Tem relação com o momento também né. Mais no começo do ano eu pirei no Breath of the Wild, que é imenso, mas ultimamente não ando com muito ânimo para jogar, então coisas mais rápidas, que eu posso jogar aos poucos, estão caindo mais no meu gosto.

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