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O jogo de colorir chamado Splatoon

Análise de Splatoon - Crianças que se transformam em lulas e atiram umas nas outras com tinta colorida... por que não?

autor Rafael "Tchulanguero" Paes   datahora 22/07/2016 às 13:38:35   tagarelices 0

Crianças que se transformam em lulas e atiram umas nas outras com tinta colorida... por que não?


A essa altura do campeonato, Splatoon já não é mais nenhum grande mistério para ninguém, mesmo para quem não possuí um Wii U. Anunciado na E3 2014 e lançado a pouco mais de um ano, a mais recente propriedade intelectual da Nintendo conseguiu neste período um sucesso bem considerável, ainda mais levando em conta a base instalada reduzida. Eu particularmente comprei o título no lançamento e, desde então, se tornou o meu jogo principal para jogatinas mais rápidas e descompromissadas.

Leia mais em: Splatoon Global Testfire

A base do jogo não poderia ser mais simples: duas equipes de quatro jogadores cada, se digladiam em diversos cenários para ver quem consegue pintar a maior parte do território com a cor de tinta correspondente do seu time. Nos modos ranqueados há outros formas de se jogar: no modo Rainmaker, que eu sinceramente não lembro de já ter jogado, ganha a equipe que levar a arma... rainmaker primeiro até o campo adversário. Nas Splatzones, o que vale é manter o controle de uma determinada área por mais tempo. Já no Tower Control, de longe o meu modo ranqueado preferido, o objetivo é manter o controle de uma torre móvel até que ela chegue a base adversária.

Tower Control
O modo ranqueado Tower Control é bem divertido e acirrado, mas também um dos que mais exige trabalho em equipe: enquanto ao menos um integrante da equipe precisa estar sobre a torre para que ela se movimente até o campo adversário, é preciso que os outros façam a defesa da mesma.

E assim como qualquer outro jogo do gênero, é possível dar uma customizada de leve (muito leve) no seu personagem, não só no visual, mas também nos equipamentos, que aqui recebem atributos sempre de maneira aleatória quando o seu personagem sobe de nível, além de claro, armas. Só que não somente restrito a variantes de pistolas, metralhadoras, miniguns e armas de longo alcance, também temos pincéis gigantes, baldes de tinta e o temido rolo de tinta, que embora seja uma arma bem poderosa e temida, costuma deixa o usuário bem exposto em vários momentos. Além disso, há também uma série de itens e armas secundárias, como granadas e escudos de tinta, além de poderes especiais, como um ataque aéreo e até mesmo transformar o seu personagem temporariamente em um Kraken invencível.

Ainda que a base do jogo seja bem simples, a Nintendo deu as suas famosas tropeçadas em termos de interface, como a impossibilidade de trocar de equipamento entre as batalhas, a obrigação de ver um resumo das atualizações do jogo toda vez que entramos nele, ou mesmo ver o vendedor de armas explicar cada novo item desde a última vez que você jogou, a impossibilidade de escolher cenários e modos, que você vai ter que esperar serem trocados a cada quatro horas, além de várias outras burocracias.

Arma Especial

Mas esqueçam todas essas coisas, onde Splatoon brilha de verdade é na sua jogabilidade, que vai muito além de ser só um jogo de tiro com visual cartunesco. O fato de você poder se transformar em uma lula e mergulhar na tinta da mesma cor da sua equipe, torna a dinâmica do jogo completamente única. Além de ser um modo de recuperar o seu nível de tinta, que é a munição do jogo também, esse mergulho funciona como um modo de se locomover muito mais rápido, ou de atrasar os inimigos, já que a tinta da cor adversária tem o efeito contrário, mas também adiciona um elemento estratégico, já que você fica praticamente imperceptível nesse modo. Saca aquela famosa cena do Exterminador do Futuro 2, onde o T-1000 sai do chão por de trás da galera? É mais ou menos isso que você acaba fazendo muitas vezes, surpreendendo o pobre inimigo que vai tomar uma saraivada de tinta e voltar para o ponto de respawn. Mesmo sumir na frente do inimigo pode salvar a sua pele, se você for astuto o suficiente para fugir. Só não tente usar a tática de ficar pulando que nem um bot de Counter Strike, é sério gente, isso não funciona nesse jogo. Além do mais, o GamePad tem um uso simples, porém bem útil: com ele é possível ver onde os seus amigos estão no mapa, e ao selecionar qualquer um deles, aonde quer que estejam, você imediatamente dá um salto gigantesco até o local exato. A sensação de já descer atirando e acertar alguns inimigos é algo bem legal... quando dá certo e você não é morto imediatamente ao tocar o chão.

Mas claro, como todo jogo focado em multiplayer online, tudo depende do quão engajada a comunidade em torno dele é. E levando em consideração que se trata de um jogo que não permite muita interação direta entre os jogadores, salvo pelos avatares no hub principal, depois de um ano o movimento ainda é bem grande, sendo que nunca tive maiores problemas em encontrar partidas para jogar. E sim, voice chat, assim como em outros jogos da Nintendo, só com os amigos. Pode parecer um grande problema, mas no geral o jogo é intuitivo o suficiente para não precisar que você se comunique diretamente com os seus companheiros de partida, salvo nos modos ranqueados, em que sempre tem a galera que não entende o objetivo do modo e acha que assim como nas Turf Wars, ganha quem colorir mais o cenário.

Posts de usuários
Há muitos posts engraçadinhos feitos pelo pessoal da comunidade, muitas vezes zoando outros jogos e seriados de televisão. O jogo em si também contém muitas referências a cultura pop em geral.

A direção de arte do jogo se destaca bastante, não somente por dar exatamente o tom que o jogo precisa, mas também por ser algo bem diferente do que costumamos ver em outros títulos da empresa. Mas se tem algo pelo qual eu sou apaixonado (sim, nesse nível), é pela trilha sonora singular e extremamente bem feita, seguindo o ótimo trabalho que a Nintendo tem feito nesse quesito em grande parte dos seus jogos durante essa geração.

Making of da gravação da trilha sonora

Infelizmente, para quem gosta de ficar totalmente afastado dos meios internéticos, Splatoon não é uma boa pedida. O multiplayer local para dois jogadores é ridiculamente sem graça, ao ponto de ser algo totalmente ignorável. A campanha solo é bem feita, com fases que misturam desafios de tiro e plataforma, culminando com batalhas contra chefes verdadeiramente desafiadoras e divertidas (o chefão final é sensacional), mas que por si só não segura a compra do jogo, servindo mais como um complemento para você entender melhor aquele mundo estranho e pós-apocalíptico (é sério!), dominado pelos Inklings, os garotos-lula com os quais você joga.

Splatfest
A praça principal, que funciona como o hub do jogo, entra em clima de festa durante certos eventos online promovidos pela Nintendo.

Outra coisa que ajudou bastante a segurar bem o jogo durante esse seu um ano de existência, foi o suporte que ele recebeu, com diversas atualizações gratuitas, corrigindo não só bugs e desequilíbrios de armas, mas também trazendo novos cenários, itens e até mesmo opções que não existiam no lançamento. Outra coisa bem legal que aconteceu bastante, mas que infelizmente está chegando ao fim, são as Splatfests, eventos que aconteciam periodicamente em alguns finais de semana, onde você escolhia uma de duas opções de um determinado tema, como "cachorros x gatos", por exemplo, e durante esse período todas as vitórias de ambos os times eram somadas, até que no término do evento o time campeão era declarado. Em termos práticos você jogava exatamente da mesma forma, mas não sei se pela empolgação da galera, as minhas partidas mais divertidas e acirradas foram em Splatfests. Neste final de semana teremos a última edição desse evento, que ao contrário das edições anteriores unirá as três grandes regiões (Américas, Europa e Japão), e que terá como tema "Callie x Marie", as personagens que apresentam as novidades quando você entra no jogo todas as vezes. Vale mencionar também que ambas acabaram se tornando celebridades virtuais, com direito a apresentações musicais ao vivo... através de projeções no palco, claro.

Capas alternativas para a última Splatfest
A Nintendo até mesmo promoveu capas alternativas para quem quiser imprimir e colocar o seu jogo, em comemoração a última Splatfest, além de novos amiibos compatíveis com o jogo, é óbvio. E claro que aqui é #TeamMarie!

No final das contas, Splatoon pode não ter sido um jogo revolucionário para o mercado de jogos de tiro, ainda mais com títulos esmagadoramente mais populares como Overwatch, mas é o surgimento de mais uma franquia totalmente original da Nintendo, como a muito tempo todos pediam e de uma área que a empresa não cobria até então. Para quem possuí um Wii U e ainda não tem o jogo, eu recomento muito que comprem, mesmo com o fim das Splatfests, já que o multiplayer no geral ainda é muito ativo. Infelizmente, quem deixar para depois pode se decepcionar muito com o movimento mais fraco ou até mesmo um eventual desligamento de servidores, tendo que esperar uma sequencia, que com certeza irá acontecer em algum momento, provavelmente para o vindouro NX.

Então não percam mais tempo, aproveitem essa última Splatfest, peguem a sua arma de tinta favorita e Vão Pintar!

* Revisado em 13/02/2017 às 04:17:19

Splatoon
Splatoon

* * * * .  Splatoon é um ótimo jogo competitivo, que mescla elementos de diversos outros estilos em conjunto com mecânicas simples e muito divertidas, com uma comunidade extremamente ativa. Infelizmente a Nintendo parece ainda não entender muito bem como jogos online funcionam, e diversas más decisões de interface foram tomadas, que não chegam a estragar o jogo, mas podem aborrecer em alguns momentos.
Avaliado no Wii U
(entenda o nosso sistema de notas)


Série: Splatoon
Estúdio: 
Plataforma: Wii U
4

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