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Uma sessão pela série Tony Hawk’s Pro Skater

Ollies, grinds, manuals, punk rock, hip-hop e etecétaras: a ascensão e queda da série que trouxe a cultura do skate para os nossos consoles.

autor Rafael "Tchulanguero" Paes   datahora 07/10/2016 às 13:22:35   tagarelices 6

Ollies, grinds, manuals, punk rock, hip-hop e etecétaras: a ascensão e queda da série que trouxe a cultura do skate para os nossos consoles.


Apesar de ser um esporte muitas vezes envolto em torno de preconceito, é difícil alguém não se admirar com a prática do skate. Mesmo um simples ollie, aquele "pulo" básico dado pelos skatistas, já requer uma certa habilidade que nem todos tem paciência para adquirir. E claro, como tudo que não queremos ou podemos fazer na vida real, os videogames acabam servindo como válvula de escape para apreciarmos o esporte, ainda que de forma limitada. Em gerações anteriores, jogos como California Games já nos davam um gostinho de como era fazer manobras radicais sobre quatro rodas, porém é quase impossível falar de skate nos videogames sem lembrar quase que imediatamente da série Tony Hawk’s Pro Skater.

Capa de THPS

Tendo feito a sua estreia no primeiro PlayStation em 1999, um dos grandes diferenciais da série era contar com a presença de grandes skatistas profissionais, a começar pelo próprio Tony Hawk, considerado até hoje o melhor atleta na categoria vertical. Mas outro ponto que ajudou bastante a série a se popularizar, é que embora o hardware do PlayStation já permitisse a reprodução fiel das manobras reais, o que de fato ocorria, o jogo optou por uma pegada mais arcade ao invés da simulação. Como resultado, nós podíamos nos deliciar com sequencias de manobras absurdas e pulos em alturas exageradas, o que embora se distanciasse muito da realidade, não deixava de ser extremamente divertido. Cada skatista também tinha o seu estilo reproduzido fielmente, contando inclusive com uma manobra especial, como o famoso "The 900" de Tony Hawk.

Acompanhem, ele gira duas vezes e meia!

Outra coisa que era bem legal também é que ao finalizar o jogo com cada personagem, uma compilação de vídeos com as manobras daquele skatista era liberada. Hoje em dia com as facilidades do YouTube isso pode parecer até ridículo, mas lembrem-se que na época com a nossa maravilhosa internet discada de no máximo 56K de velocidade, baixar um vídeo para assistir era uma tarefa quase impossível. Tanto que não era incomum alguém que tinha o jogo zerar com todos os personagens, e depois gravar os finais em uma fita VHS para poder passar para os amigos que não tinham. É, eu sei, uma porcaria, não sei como alguém se sente nostálgico com essas coisas.

Aí você passava o jogo inteiro imaginando o quão mentirosa era a manobra Darkslide, para chegar no final do Rodney Mullen e descobrir que na vida real ela é só uma das mais básicas dele...

Falando em personagens, além de profissionais como Bob Burnquist, Bam Margera, Elissa Steamer e o lendário Rodney Mullen terem feito companhia a Tony Hawk ao longo da série, nós também tivemos vários personagens hilários e fictícios, como o policial Officer Dick e a sempre a vontade Private Carrera. E se você já acha isso bizarro, saiba que também marcaram presença figuras como Spiderman, Wolverine e até mesmo Darth Maul.

Apesar das diversas mudanças pelas quais a série passou, não somente os skatistas da vida real eram representados, mas também diversas localidades ao redor do mundo davam as caras nas fases do jogo. A grosso modo, THPS sempre se centrou em ter diversos objetivos a serem cumpridos em cada fase, que variavam desde fazer uma quantidade X de pontos, fazer manobras específicas em lugares específicos ou coletar determinado número de algum item. Somente depois de alcançar um certo número desses objetivos é que uma nova fase era desbloqueada até que todas estivessem liberadas, e isso era necessário de ser feito com cada personagem, o que fazia com que os jogos apesar de simples, durassem bastante tempo.

Spiderman
Nem tudo em THPS era baseado na realidade. Além da física exagerada, algumas manobras especiais inventadas e localidades como a Lua, por ser de distribuição da Activision, que na época também cuidava de jogos da Marvel, figuras como o Homem Aranha davam as caras como personagens secretos.

Nem precisa dizer o quanto o multiplayer local também fazia a nossa diversão, certo? Seja passando o controle ou se digladiando em modos competitivos, a série THPS foi um dos jogos com o qual eu mais me diverti com amigos, história bem comum entre os jogadores da época. Isso quando a brincadeira não era usar o editor de fases para criar pistas para os outros jogarem, o que permitia botar toda a nossa imaginação na criação do skate park perfeito... ou ao menos o que o memory card do PlayStation permitisse. Aliás, no caso do meu grupo a coisa foi tão forte que alguns passaram a andar de skate de verdade por conta da empolgação com o jogo. Eu como logo vi que não levava muito jeito para a coisa, acabei enveredando pelo BMX, mas o grupo sempre andava junto... tudo por conta de Tony Hawk’s Pro Skater.

Apesar de todas essas características tornarem THPS uma série interessante por si só, existia um outro elemento que marcou muitos na época: a sua trilha sonora. Contando com músicas licenciadas de grandes bandas como Dead Kennedys, Goldfinger, Ramones, Motörhead, Rage Against The Machine e até mesmo cantores como Johnny Cash e Frank Sinatra, era impossível não se empolgar durante as jogatinas. Não era muito incomum também depois correr atrás das outras músicas das bandas até então desconhecidas para boa parte de nós, sendo normal hoje em dia ouvir de pessoas que a série moldou o gosto musical delas.

THPS 4
Sair derrubando pessoas enquanto se faz um combo gigantesco? Claro!

Infelizmente a série não sobreviveu ao teste do tempo. Tendo encontrado o seu ápice com o terceiro jogo na transição entre a quinta e sexta geração de consoles, a série não soube manter uma jogabilidade sólida ao longo dos anos. A então desenvolvedora, Nerversoft, até tentou dar uma guinada na série com o quinto título, Tony Hawk’s Underground, acrescentando um modo de criação de personagem mais expandido, além de um modo história, mas apesar de isso ter rendido algumas coisas interessantes, não foi o suficiente. Principalmente depois de American Wasteland (sétimo título), uma sequencia de jogos de medianos a ruins foi enterrando cada vez mais a série no limbo. No ano passado até foi tentada uma nova investida por parte da Activision com Tony Hawk’s Pro Skater 5 para os consoles atuais, mas nem o carisma de Tony Hawk foi suficiente para alavancar o título, que contava com mecânicas pobres e diversos problemas técnicos.

E se vocês ficaram com vontade de mais THPS aqui no Vão Jogar!, não se preocupem: a partir das próximas semanas, eu irei falar individualmente sobre os sete primeiros títulos da série, que foram os que eu joguei, falando não somente sobre a evolução mecânica dos jogos, mas também fazendo um passeio musical em cima das minhas músicas preferidas que compuseram a série. Então fiquem atentos que os carrinhos logo estarão chegando, enquanto isso, Vão Remar!

* Revisado em 07/11/2016 às 14:54:32

outras tags: Tony Hawk’s Pro Skater (Série)

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  • avatar de leandro (leon belmont odst) the devil summoner
    leandro (leon belmont odst) the devil summoner
    09/10/2016 às 04:16:15   localizacao Recife-PE
    bacana o post sobre o "Tony Gavião" eu gostava mais do segundo game onde tinha Papa Roach e Motorhead na trilha sonora. um dia tenho que zerar algum game da franquia. confesso que eu era bem ruim jogando contra alguém, mas eu gostava de fazer as manobras, não disputar por pontos. enfim, belo post

    • avatar de Rafael "Tchulanguero" Paes
      Rafael "Tchulanguero" Paes
      09/10/2016 às 20:27:15   localizacao Vespasiano - MG
      Motörhead é no terceiro, inclusive a apresentação do jogo é com Ace of Spades. Vá acompanhando os próximos textos que eu falarei mais especificamente da trilha sonora de cada um ;)

    Responda!
  • avatar de sucodelarAngela
    sucodelarAngela
    10/10/2016 às 13:54:19   localizacao São Luís - MA
    Eu sempre achei muito foda ver campeonatos de skate e é uma pena que eu mal consiga me equilibrar sobre um deles, mesmo que seja sentada, huahua!

    A primeira vez que joguei algo do tipo foi exatamente com a série Hawk’s. Acho, inclusive, que só fui prestar atenção na série justamente pela fama do Tony na época, eu lembro que até mesmo na Rede Glóbulo passavam esses campeonatos com a participação dele, e eu achava fodásticamente foda ele fazer aquele "The 900".

    Acho que o que eu mais joguei da série foi THPS2. Foi o que mais me marcou, não apenas por ter sido o primeiro, mas até epla trilha sonora, que eu escuto até hoje tranquilamente. Dos personagens fictícios, Spidey era meu favorito, assim como ele o é em muitas outras mídias!

    • avatar de Rafael "Tchulanguero" Paes
      Rafael "Tchulanguero" Paes
      11/10/2016 às 20:36:39   localizacao Vespasiano - MG
      Putz, o segundo tem uma trilha foda mesmo, também gosto muito dela, apesar que muitas das músicas que eu mais gosto estarem espalhadas ao longo da série.

    Responda!
  • avatar de Felipe B. Barbosa
    Felipe B. Barbosa
    26/10/2016 às 21:51:16   localizacao Nova Odessa, SP
    A série THPS é realmente um clássico! Principalmente que ela coincidiu com a época que eu e meus amigos andávamos de skate, agora não lembro se foi ela que nos motivou, acho que não. Mas uma coisa é certa, baixávamos as músicas do jogo para ouvir enquanto andávamos! rsrs

    Sobre os personagens, o meu favorito era Bob Burnquist (pelo fato de ser brasileiro) seguido pelo Rodney Mullen e suas manobras fora do comum. Aliás, o jogo foi responsável por eu conhecer essas lendas do skate, antes do jogo, confesso que não conhecia ninguém.

    E sim, só me contentava se tivesse zerado com todos os personagens. Mas não cheguei a gravar os finais em VHS não! rsrs

    Nossa, não lembrava do skate park editor, isso era bom demais! Que saudade que deu!

    Muito bom o post! :)

    • avatar de Rafael "Tchulanguero" Paes
      Rafael "Tchulanguero" Paes
      28/10/2016 às 11:28:39   localizacao Vespasiano - MG
      Com o Bob rolava aquele sentimento de "poxa, é um brasileiro em um jogo de PlayStation", mas quando chegava nos vídeos dos finais, não tinha como não pirar com o Rodney. Mas só bem depois é que eu fui descobrir a real importância dele em meio ao esporte.

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