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Ascensão de Tomb Raider, Queda de Lara Croft

Análise de Rise of the Tomb Raider - Um dos melhores jogos de aventura com uma das piores protagonistas.

autor sucodelarAngela Caldas   datahora 09/12/2016 às 15:10:04   tagarelices 4

Um dos melhores jogos de aventura com uma das piores protagonistas.


Com o estrondoso sucesso do reboot da série Tomb Raider em 2013, o segundo jogo da trilogia foi aguardado por muitos e, finalmente, publicado pela Microsoft Studios em Novembro de 2015 em caráter de exclusividade temporária para Xbox One e Xbox 360. Após quase um ano de espera, Rise of the Tomb Raider foi lançado para PlayStation 4 pela Square Enix, lançamento este que coincidiu com o aniversário de 20 anos da série, culminando em uma edição recheada de bônus para aqueles que esperaram por tanto tempo a chance de jogar a continuação da saga de Lara Croft. E é desta edição que falaremos um pouco mais aqui!

Leia também: Nasce Uma Sobrevivente
Veja também: Vídeo Degustação: Rise Of The Tomb Raider - 20 Year Celebration

Enredo

O jogo se passa um ano após os eventos sobrenaturais envolvendo os Yamatai. Sofrendo para conseguir explicar tais eventos e sofrendo de estresse pós-traumático, Lara começa a ser desacreditada pela mídia, algo semelhante ao que acontecera com seu pai. Disposta a encontrar mais respostas, Lara acaba ficando obcecada pela última pesquisa de seu pai sobre a cidade perdida de Kitej e sua promessa de imortalidade, pesquisa essa que teria levado Richard Croft a cometer suicídio.

Notícia sobre Richard Croft.

Preocupada com a possibilidade de Lara ter o mesmo fim de seu pai, a parceira de Richard, Ana, tenta em vão alertá-la para deixar tudo de lado, mas Lara está determinada a provar que o pai (e ela também) não estava louco e, assim, organiza uma expedição até a Síria para encontrar a tumba do Profeta de Constantinopla e, junto a ele, a Fonte Divina, objeto que dará a imortalidade àquele que o possuir.

O enredo se desenvolve, então, na obsessão busca de Lara em provar que seu pai estava certo e na guerra entre a Trindade - uma antiga ordem de cavaleiros que hoje funciona como uma organização paramilitar que investiga fenômenos sobrenaturais - e os Remanescentes - descendentes dos seguidores do profeta cujo objetivo na vida é proteger a Fonte Divina e seus segredos.

Diferente do primeiro jogo, onde o ritmo do enredo evolui aos poucos até alcançar seu ápice, Rise of the Tomb Raider já inicia com um ritmo mais acelerado, onde várias coisas já estão acontecendo, já se toma conhecimento de que Lara está na expedição e já somos apresentados a uma organização chamada Trindade. Daí, o jogo dá um breve flashback para que o jogador conheça a situação, mas tudo é muito rápido. Confesso que, apesar da temática ser interessantíssima, passei praticamente metade do jogo tentando entender várias coisas e achando tudo muito "jogado", dependendo muito mais dos documentos encontrados no jogo do que do desenrolar do enredo em sim, mas na segunda metade do jogo, a narrativa parece ter se organizado e a história fluiu muito melhor. Algo parecido com o que eu senti jogando Deus Ex: Human Revolution... Mas assim como neste, eu simplesmente não conseguia parar de jogar Rise of the Tomb Raider.

Jogabilidade

Eis o melhor de tudo em RotTR: a jogabilidade! A Crystal Dynamics conseguiu pegar o que já era muito bom e acrescentar detalhes que agregaram muito mais valor ao jogo. Lara já inicia o jogo com algumas regalias que adquiriu em sua primeira aventura, como o seu machado de escalada. Ainda assim, o jogo mantém a premissa da evolução do personagem com experiência adquirida durante o jogo, permitindo assim a criação de novas estratégias de ataque e defesa.

Continuamos adquirindo Pontos de Habilidade das mais diversas formas, caçando, matando inimigos ou encontrando baús e artefatos no mapa. Esses pontos, assim como no primeiro jogo, permitem a compra de habilidades nas categorias Combatente, Caçadora e Sobrevivente, garantindo que Lara consiga várias façanhas em combate e exploração. Os Fragmentos e as Partes de Armas também estão de volta na jogabilidade, permitindo que armas sejam melhoradas continuamente.

Melhoria de armas.

No entanto, Rise of the Tomb Raider traz um novo sistema de criação de itens, onde Lara deve adquirir materiais diversos no ambiente (peles, penas e galhos, por exemplo), para criar munições, bolsas e aljavas, aumentando sua capacidade de armazenamento. Falando em munições, cada arma que Lara adquire continua tendo seu tiro padrão e um tiro especial, mas a melhor arma de todas continua sendo o arco e flecha, item com mais opções de tiro: temos as flechas comuns, flamejantes, explosivas e venenosas (que também possuem uma variação que causa alucinações no inimigos). Lara também tem acesso a várias roupas diferentes (com mais 12 roupas extras para a 20 Year Celebration), a maioria dando certos bônus à personagem, como menos dano, mais resistência ao frio, economia de munição ou recuperação rápida.

Além da maior variedade de armas e do sistema de crafting, o jogo também fez ajustes na jogabilidade para favorecer o stealth. Assim, Lara consegue usar o ambiente para se esconder e pegar inimigos de surpresa: ela pode se esconder em moitas ou no alto de árvores, pode atirar objetos específicos para distrair inimigos (The Last of Us style), pode fazer ataques silenciosos de bordas ou de dentro d’água. São várias possibilidades! Existem novos itens ao jogo, como o Respirador, que Lara pode usar para permanecer submersa por tempo indeterminado, a Faca de Caça para ataques stealth, o Lockpick para abrir portas e baús e o Grapling Hook, que retorna à série desde seu último uso em Tomb Raider: Underworld. Todos os itens são adquiridos durante o gameplay, permitindo que novas áreas sejam acessadas quando Lara tiver os objetos certos em mãos.

Stealth

Outro ponto super positivo para RotTR é que existem agora missões secundárias oferecidas a Lara que podem presentear o jogador com itens importantíssimos para o desenrolar da história. Não são missões cansativas e/ou repetitivas e se encaixam bem no contexto do enredo do jogo, então dá para completá-las com muita boa vontade. Além disso, há mais tumbas a serem saqueadas e os puzzles estão mais complexos e inteligentes que os do primeiro jogo. Melhor ainda: as tumbas recompensam os jogadores com novas habilidades em vez de meros Fragmentos e XP. Ou seja, enquanto que em TR 2013, você poderia finalizar o jogo e deixar todas as tumbas para depois, em RotTR, o ideal é explorar bem para ser recompensado com boas habilidades para a personagem.

DLC’s da edição 20 Year Celebration

Baba Yaga: O Templo da Bruxa

Baba Yaga
Dorgas...

Por ter jogado a edição 20 Year Celebration, tive acesso a vários DLCs presentes no conteúdo. Um deles é a da bruxa Baba Yaga e se trata de um capítulo extra no jogo onde Lara encontra e ajuda uma mulher chamada Nadia, que procura seu avô Ivan. Lara não acredita na história que Nadia conta sobre tal bruxa, mas decide ajudar a mulher, visto que ela está machucada. Apesar de se desenrolar sobre a história de um folclore russo, a DLC é muito boa e dá respostas satisfatórias ao mito, além de acrescentar boas horas de gameplay. Também pode ser jogado em qualquer momento sem afetar a história principal, mas recomendo jogar assim que ficar disponibilizado no mapa, pois a DLC recompensa o jogador com uma nova roupa para Lara, além de um novo arco também.

Escuridão Fria

Meus resultados.
Meus resultados até que não foram tão ruins...

Essa DLC não é encontrada no mapa principal do jogo. Ela deve ser acessada pelo menu principal, na guia Expedições. Nessa guia, o jogador pode encontrar vários modos de jogo (inclusive coop). Escuridão Fria se passa em uma base soviética invadida pelos agentes da Trindade que inadvertidamente liberaram uma arma biológica que afeta seus homens e os transformam em criaturas parecidas com zumbis. Como o gás não afeta as mulheres, Lara parte para desativar as torres que emitem esses gases. Além da missão principal, há vários desafios a serem cumpridos durante o gameplay, o jogador pode escolher cinco desafios por vez e tentar cumpri-los a cada jogada. Também é possível utilizar os cards adquiridos e/ou comprados na lojinha do jogo (com "dinheiro" conquistado no próprio jogo), que podem facilitar ou dificultar a vida do jogador (bonificando ou penalizando a pontuação), ou apenas acrescentar algum elemento cômico (big heads!) ou estético (não afetando a pontuação). Joguei na dificuldade Sobrevivente e foi um excelente desafio com boas horas de jogatina.

Laços de Sangue e Pesadelo de Lara

Laços de Sangue se passa na Mansão Croft, com Lara explorando a velha casa à procura de qualquer documento que possa impedir que seu tio Atlas tome posse da mansão. A DLC é exploração pura, mas é um prato cheio para os fãs, pois possui muitos detalhes sobre os pais de Lara, além de ter muitos easter eggs a serem encontrados. Para mim, foi uma delícia de DLC, com muito atenção ao sentimento nostálgico de jogadores mais antigos, que, com certeza, reconheceriam menções épicas a outros jogos, como o Dragão de Jade e Venice Violins, de Tomb Raider II, que pode ser escutada na biblioteca; a Ankh de Tomb Raider e Revelations; a Rosa Dourada de Tomb Raider Chronicles e muito mais!

Winston no freezer.
Tem até referências à Lara trancando o mordomo Winston no freezer (Tomb Raider II).

Pesadelo de Lara não me agradou. A DLC se passa na mesma mansão, porém o objetivo do jogador é acabar com a horda de zumbis e encontrar três caveiras. Destruindo tais caveiras, conseguimos acesso ao chefão final, mas não passa de mero jogo de sobrevivência. Passável.

O pior de Rise of the Tomb Raider

Apesar de ser graficamente majestoso e uma delícia de jogar, sendo um dos melhores jogos de aventura que já experimentei no quesito gameplay, RotTR possui um ponto muito fraco: a própria Lara. Totalmente diferente da Lara do primeiro jogo, que nos oferecia um show de emoções e cuja evolução nós percebemos durante a narrativa, a Lara de RotTR nos apresenta tanta emoção quanto um pedaço de toco. A atuação dela não é boa, ela está o tempo todo na mesma sintonia, você não percebe nenhuma alteração de emoção na personagem, uma levantada de sobrancelha mais acentuada, uma boca torta de desdém, uma demonstração de bom humor sequer... ela está sempre do mesmo jeito, com as mesmas interpretações, algumas bem forçadas, eu diria. Tudo que TR 2013 nos ofereceu em termos emocionais parece ter sido completamente apagado por uma nova Lara totalmente rígida e insípida. Felizmente, a história e a jogabilidade de Rise of the Tomb Raider agregados ao sentimento nostálgico de passear pela Mansão Croft, além das outras boas DLCs​, são pontos grandiosos o suficiente para querer jogá-lo até o fim, mesmo com a protagonista deixando a desejar.

Lara e Jacob
Você não me convenceu, Larinha...

Agora, façam uma trança bacanuda ou um rabo de cavalo, peguem seu coldre e suas pistolas duplas e Vão Jogar!

Rise of the Tomb Raider
Rise of the Tomb Raider

Série: Tomb Raider
Estúdio: 
Plataformas: PlayStation 4, Windows, Xbox 360 e Xbox One

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  • avatar de Paulo Aquino
    Paulo Aquino
    09/12/2016 às 20:57:42   localizacao São Paulo - SP
    Não foi como eu imaginei.
    É mais porque srta. Croft passa O FUCKING JOGO TODO com a mesmíssima cara, com a mesmíssima expressão.

    E pensar que (pelo menos em artworks) na fase "quadrada" poligonal, Lara era muito mais capaz de expressar emoções...

    • avatar de sucodelarAngela
      sucodelarAngela
      12/12/2016 às 15:22:35   localizacao São Luís - MA
      Eu fiquei pensando a mesma coisa, Paulo... a Lara de 2013 era muito expressiva, já essa Lara é praticamente morta em expressão... A transição é essa aqui:
      url imagem: johnhembree.com/wp-content/uploads/2013/11/life-and-death.jpg

    Responda!
  • avatar de helisonbsb
    helisonbsb
    10/12/2016 às 00:54:41
    ¨o jogo mantém a premissa da evolução do personagem com experiência adquirida durante o jogo, permitindo assim a criação de novas estratégias de ataque e defesa.¨isso me chama a atenção...a evolução do jogo no quesito jogabilidade...sim gostei muito...gráficos de primeira e jogabilidadade dinâmica...
    Vc também citou sobre as emoções em que lara expressa e não expressa... muitos acham que heroínas devem demonstrar menos sensibilidade e mais energia no quesito determinação e força como foi citado...lara quer saber toda a verdade, conseguir respostas e sua evolução no jogo em termos de jogabilidade vai demostrando ser uma pessoa de personalidade forte e objetiva...não sei,,,as vezes demonstrar menos sentimento seja o medo de mostrar que tem medo..se vc me entende...
    valeu e feliz natal a todos!!!!

    • avatar de sucodelarAngela
      sucodelarAngela
      12/12/2016 às 16:26:24   localizacao São Luís - MA
      A jogabilidade realmente está excelente, conseguiram melhorar o que já era muito bom!

      Eu entendi o que você falou sobre expressar os sentimentos, mas temos vários personagens em várias mídias diferentes que não expressam muita coisa e, ainda assim, conquistam nossa simpatia. A nova Lara simplesmente está chata, muito chata. Eu chegava a querer pular as cutscenes onde ela falava demais, de tão chata que ela está...

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