Relembre o que eu joguei em 2023
Em 2024 eu comecei a colocar em prática uma maluquice que eu inventei que é a de jogar séries inteiras de uma lapada só. Não foram muitas na verdade, mas é definitivamente uma experiência ficar em um mesmo universo por alguns meses, porém não me arrependo, acabou sendo bem divertido.
E contando aqui agora foi um ano em que eu joguei bem mais coisas também, aliás, assustadoramente bem mais do que no ano anterior, embora tenham títulos que entraram na lista, que eu quero falar sobre, mas que no final das contas foram bem pontuais e não tomaram tanto do meu tempo.
Então sem mais enrolação, vamos a lista do que eu joguei em 2024!!!
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Mario Kart 8 Deluxe (Switch)

Eu amo Mario Kart 8! Ele é de longe o meu jogo favorito da série desde Double Dash!!, com um refinamento da fórmula da série que o deixou beirando a perfeição. Mas eu sempre me recusava a comprar a versão de Switch por motivos de "eu já tenho esse jogo no Wii U", ainda que as 48 pistas extras que foram lançadas posteriormente em uma DLC sempre tenham sido bem tentadoras. E sabendo disso a Letícia foi lá e me deu o jogo de aniversário, dizendo que fez isso justamente por saber que eu gosto, mas não iria comprar. Dá para notar que ela me conhece bem, rzs.
E ele como sempre continua incrível. Mesmo após 11 anos de seu lançamento, é um jogo que segue atual e divertido, como poucos do seu gênero conseguem ser, não é por menos que é um dos jogos mais vendidos da Nintendo nos últimos anos. E a versão do Switch além de trazer o conteúdo completo lançado para o Wii U, incluindo as DLCs, faz algumas correções que tiravam um pouco do brilho do original, em especial no modo multijogador, já que os modos de batalha, bem sem graça, foram reformulados para passar a vibe dos títulos mais antigos da série e junto trazendo diversas adições bem interessantes para aquela partida "amistosa" com os amigos em casa. Também há algumas novas opções de acessibilidade para aqueles que tem um pouco de dificuldade com os controles do jogo, o que é uma adição sempre muito bem vinda.
Mas nem tudo são flores e eu confesso que existe um porém na versão do Switch que me tira um pouco a graça: a possibilidade de cada personagem ter dois itens ao invés de apenas um. Eu sei que quando jogando sozinho contra o computador o jogo não segue necessariamente as mesmas regras de quando há pessoas jogando, mas a impressão que fiquei é que o jogo foi todo rebalanceado para ser muito mais agressivo em termos de itens, me lembrando muito Mario Kart Wii, que por mais que fosse um jogo que eu tenha jogado e gostado por anos, me fazia passar raiva muitas vezes nesse quesito. Quando Mario Kart 8 foi lançado para o Wii U, eu achava que ele havia conseguido um equilíbrio muito bom entre a mecânica meio aleatória dos itens e a habilidade de quem está jogando, sem pender demais para um dos lados. Nessa versão a impressão que eu tenho é que muitas vezes você é punido por jogar bem, mais do que a média, então por vezes a diversão se transforma em frustração rapidamente e isso para mim foi um deslize que eu espero que volte a ser melhor ajustado no próximo Mario Kart para o Switch 2.
De qualquer forma, eu sinto que essa minha crítica não é algo que vai afetar todo mundo e de fato como eu disse antes, o jogo segue excelente. O pacote com as pistas novas vale muito a pena de ser jogado, incluindo algumas com novas músicas espetaculares, como a de Yoshi’s Island, seguindo a já ótima trilha sonora do jogo, mas tem alguns pontos baixos com as pistas vindas de Mario Kart Tour, o jogo mobile da série que é até divertido, mas bem menos inspirado do que os da série principal.
Ainda sim, mais uma vez, um jogão!
Leia a nossa análise de Mario Kart 8
Ouça o nosso podcast de melhores do ano de 2015
Super Mario Bros. Wonder (Switch)

A Letícia não contente em me dar Mario Kart 8, também me presenteou com o então recém lançado Super Mario Bros. Wonder, o primeiro jogo 2D da série Mario com um grande orçamento desde... sei lá, Yoshi’s Island no Super Nintendo? Sim, existem os jogos da série New Super Mario Bros. e eu adoro eles, mesmo os menos inspirados como o de Wii U, mas a real é que eles eram jogos bem menos ambiciosos do que os clássicos da série foram em suas respectivas épocas.
E esse jogo é uma das melhores coisas de Mario lançado nos últimos anos, ainda que ele se baseie nas mecânicas clássicas as quais nós já estamos mais do que acostumados, aqui além do refino dos controles, nós também temos um design de fases estupidamente bem feito, em que cada uma irá apresentar uma nova mecânica através das sementes fenomenais, um novo item que pode ser encontrado e que sempre irá causar um efeito bizarro, engraçado e inesperado nas fases, mas que também irão torná-las únicas e especiais. E não somente isso, embora as fases em si sejam curtas, elas possuem diversos segredinhos para aqueles complecionistas, como eu, que irão estender bastante as horas de jogo para aqueles que assim quiserem.
Outra coisa que tem que ser falada é o esmero que a equipe de desenvolvimento teve com cada detalhe, desde a direção de arte, que apesar de ser construída com gráficos em 3D, remete diretamente aos jogos antigos, passando pela trilha sonora incrível, até aquele humor bobo característico da série, mas que segue extremamente charmoso até hoje. E o melhor, é um jogo totalmente em português brasileiro, inclusive em pequenas falas que algumas flores de dicas espalhadas pelo cenário dão, embora nesse ponto para mim o melhor de tudo foram os nomes das fases, que muitas vezes são uma piadoca por si só, mas sempre com referências muito bem localizadas para nós brasileiros.
Mas uma das coisas que mais me surpreendeu nesse jogo foi o seu modo online: sim, um modo online em um jogo do Mario. Diferente do que se poderia imaginar, aqui não é sobre alguém a distância entrar com você na fase, na verdade funciona assim: você pode jogar o seu jogo de boa, sozinho, sem ninguém incomodando, mas de maneira razoavelmente discreta aparecem algumas sombras de outros jogadores passando pelo cenário, que podem ser uma reprodução de alguém que jogou ou de fato alguém que esteja jogando online naquele momento. E embora não haja uma interação direta com essas sombras, quando você morre o seu personagem se torna um fantasma e se dentro de um curto período de tempo você encostar em algum desses jogadores, você volta a partida imediatamente, sem perder a vida. Esses jogadores também podem deixar placas espalhadas pelas fases quem também terão a mesma função e o melhor de tudo, você também pode ajudar essas sombras quando elas estiverem em perigo, simplesmente encostando nelas. É uma ideia simples, mas ela criou um senso de interação com outros jogadores de uma maneira que eu não esperava, principalmente por ser algo que não interfere diretamente no meu jogo. Aliás, obrigado a pessoa que me ajudou a passar a fase mais difícil do jogo, essa alma caridosa literalmente ficava me esperando em cada trecho para me salvar quando eu falhava naqueles desafios insanos.
Enfim, mais um jogo da série Mario, mais um jogo excelente, daqueles que fazem a gente ficar em contradição entre odiar a Nintendo pelas babaquices dela e amá-la pelos seus jogos... mas a gente abraça a contradição e faz os dois ao mesmo tempo sim, rzs.
Bem Feito (Switch)

Bem Feito é um jogo brasileiro desenvolvido pela oiCabie já há algum tempo, mas que eu finalmente pude jogar na versão lançada para consoles, já que originalmente ele saiu apenas para computadores pela plataforma itch.io. E apesar do visual inicialmente fofinho, esse jogo acaba sendo bem macabro.
Sem entregar muito, já que ele é bem curtinho e a graça é justamente em ir acompanhando a história e entender as lógicas dele, a ideia é que existiu um console portátil chamado JOGAROTO que teve como único lançamento um título chamado "Bem Feito". Então depois de muito investigar, uma empresa, a MEGASOFT, conseguiu desenvolver um emulador para este console com o objetivo de rodar esse único jogo.
A ideia básica é que você alterne entre uma interface que simula um sistema operacional, onde pode acessar alguns arquivos e coisas básicas, além de claro, o emulador onde o jogo de fato vai ocorrer. Só que além das coisas estranhas que vão acontecendo com o jogo, há também documentos que vão ficando disponíveis na interface do computador, novas informações sobre a história desse jogo e porque ele ficou perdido por anos sem ninguém ter contato com ele. Tudo em um clima de suspense, mas de um modo meio caricato, onde apesar da temática o clima acabe sendo bem de boa, com umas sacadas muito inteligentes no processo.
Dá para jogar ele em qualquer plataforma hoje em dia e o preço é sempre bem em conta, ainda mais quando em promoção, então recomendo muito para que todes joguem e ajudem Reginaldo, o garoto protagonista do jogo, a fazer novas amizades.
Vampire Survivors: Legado dos Moonspell & Ondas de Foscari (Android)

Vampire Survivors continua sendo o meu jogo para celular preferido, ainda que eu tenha dado algumas pausas ao longo do ano e até mesmo experimentado as versões de PC e console, que mudam um pouco a forma como eu jogo, já que no celular eu uso o aparelho no modo retrato e nas outras versões o padrão, obviamente, é o modo paisagem. Mas agora eu elevei a minha relação com o jogo para outro nível: eu comprei todas as DLCs lançadas para ele e agora eu tenho mais personagens, mais armas e mais fases para jogar, o que já foi feito com o Legado dos Moonspell e Ondas de Foscari.
Para manter uma lógica mais sequencial, eu estou jogando as expansões uma a uma, usando os sistema de conquistas do jogo como orientação, desbloqueando cada nova coisa que vai aparecendo e isso tem sido bem legal de fazer. Ainda que a mecânica básica siga a mesma e o clima caótico do jogo tenha ficado mais caótico ainda, é impressionante como a criatividade com que essas adições foram feitas funcionam bem. Inclusive eu tenho evitado usar alguns recursos que depois de adquiridos deixam o jogo um pouco mais fácil, só para curtir melhor cada uma dessas adições e entender as suas lógicas, ao invés de simplesmente abraçar a minha tela piscando freneticamente com inimigos morrendo aos montes.
Ainda faltam mais três expansões para eu jogar, uma baseada em Among Us, que eu já terminei esse ano, outra em Contra e a última em Castlevania, então com certeza é um jogo que estará novamente na lista do ano que vem, mas com muitas novidades para eu contar de como foram as jogatinas pelos ônibus e metrôs de Belo Horizonte.
Xenoblade Chronicles 2 (Switch)

Quando Xenoblade 2 foi anunciado lá no lançamento do Switch eu fui um dos que apesar de estar na empolgação depois de Xenoblade X, torceu o nariz para o visual "anime cheio de garotas adolescentes absurdamente peitudas" e acabou não se interessando muito pelo jogo. O problema é que depois de terminar Xenoblade 3 eu voltei a ficar muito pilhado com o universo da série, então respirei fundo e resolvi encarar o tão infame título.
A história do jogo se passa no mundo de Alrest, onde as pessoas vivem sobre um literal mar de nuvens, tão denso quanto água e seguem suas vidas sobre criaturas chamadas Titãs, que podem ser do tamanho de um barco ou tão grandes quanto continentes. Para completar, existem algumas pessoas chamadas Drivers, que são capazes de utilizar uns cristais especiais para invocar criaturas humanóides chamadas Blades, que compartilham habilidades de combate diversas e que no geral vão ser compostas pelas tão infames "meninas de pouca roupa" que citei anteriormente.
Tirando o elefante da sala, de fato o visual das personagens femininas desse jogo é pavoroso. Salvo raríssimas exceções, elas são extremamente sexualizadas de uma maneira despropositada e muitas vezes nem um pouco inspiradas. Simplesmente não há nenhuma defesa para esse aspecto e tudo que for dito sobre esse jogo vai inerentemente ser acompanhado de um "apesar de".
Mas os problemas não param por aí, não bastassem os aspectos visuais, Xenoblade 2 também não é um jogo que tenha personagens e diálogos lá muito bem escritos. É tudo insosso, genérico e superficial, todos os personagens, e aí independente do gênero, são no máximo conceitos de pessoas e mesmo em suas missões pessoais não são muito aprofundados, ainda que alguns possuam algum carisma. Sim, existem histórias, muitos personagens são intrinsecamente ligados a trama principal, mas nada disso vem de uma forma realmente bem escrita, não é terrível, mas é sem graça. Rex e Pyra, os personagens na imagem acima, são o típico casal demasiadamente tímido e acidental, mas nunca conseguem trazer muitas coisas realmente interessantes ao seu relacionamento. As histórias secundárias também não conseguem fazer muito por eles, de todas as que o jogo me trouxe, e não são poucas, somente uma me agradou um pouco mais, mas ainda sim era tão óbvia que eu já saquei como ela terminaria no primeiro ato. Não por menos, a impressão que eu tenho é que toda pessoa que diz amar esse jogo por esses aspectos parecer tê-lo jogado na adolescência e são pegas pelo clima excessivamente melodramático do jogo.
Outro problema dele é que de uma maneira geral, esse jogo foi feito com um escopo muito grande, tão grande que o estúdio não deu conta de fazer tudo funcionar da melhor maneira possível. Entre Xenoblade X e Xenoblade 2 foram apenas 2 anos de desenvolvimento e a impressão que eu tenho é que quiseram espremer todas as ideias aqui de uma vez, mas não tiveram tempo de refiná-las. O sistema de combate, por exemplo, tem uma ideia muito interessante de você montar combos elementais que culminam em ataques especiais muito legais, dignos de um anime de lutinha, mas está preso em um processo tão longo e burocrático que ao longo da jornada, que na maioria das vezes se dará com inimigos mais fracos, você dificilmente terá chance de ver. Fora das batalhas também existem sistemas e mais sistemas sobrepostos, que embora não sejam difíceis de entender, vão ser penosamente burocráticos, mas que de alguma forma você vai precisar adentrar para extrair o máximo da capacidade dos personagens. Por último, eu não sou de reclamar muito disso, ainda mais no Switch, mas a performance desse jogo é terrível, principalmente no modo portátil em que a resolução cai de tal forma que tudo vira um grande borrão.
Mas apesar disso esse jogo está muito longe de ser uma grande bomba da qual você deve passar longe. Digo, se você só quer um JRPG para jogar, definitivamente há opções melhores e não há porque vir para esse, mas para quem como eu está querendo o máximo possível de Xenoblade, então sim, esse título vale muito a pena. Ele expande muitos conceitos da série, que apesar de ter jogos com histórias individuais, estão sim conectados de alguma forma em um grande universo. Apesar de funcionar em um horrendo sistema de gatcha, a ideia dos Blades é bem interessante e nesse aspecto a história explora muito bem as suas características e suas lógicas de funcionamento dentro daquele mundo. A coisa de que cada mapa do jogo é uma nação diferente, com seus próprios regentes, regras e biomas, assim como se situarem em grandes gigantes vivos, também é algo muito interessante, expandindo bastante a ideia de seres que moram nos corpos de deuses mortos que o primeiro Xenoblade já trouxe.
Jogar ele inclusive me fez ver Xenoblade 3 de outra forma, já que parece que tudo o que foi feito lá foi uma resposta aos problemas que esse jogo apresenta e talvez por isso tenha sido tão bom, uma vez que Xenoblade 2 apesar de todos os problemas está longe de não ter ideias interessantes ou coisas que não valham a pena. Ainda sim, até onde eu sei, foi um título muito bem sucedido da Monolithsoft que ajudou a estabelecer a série como uma das principais da Nintendo nos últimos anos.
Xenoblade Chronicles 2: Torna - The Golden Country (Switch)

Xenoblade Chronicles 2: Torna - The Golden Country, ou somente Torna, como eu irei me referir daqui para frente, é uma expansão de história de Xenoblade 2, que em formato físico é oferecido de maneira separada do jogo base, enquanto no digital é o último lançamento do passe de temporada do jogo. Nele nós acompanhamos a personagem Lora e seu Blade companheiro Jin, em uma história que se passa 494 anos antes dos acontecimentos de Xenoblade 2, trazendo em maiores detalhes alguns fatos que foram contados mais para o fim da história do jogo base. Os personagens vão acabar se unindo a um grupo que busca combater o terrível Malos, que basicamente está no modo de "tocar o terror" pelo mundo de Alrest, o que é algo que está deixando a galera um pouco chateada, digamos assim.
Bom, lembra que eu falei logo acima que Xenoblade 3 parece ter sido feito como uma resposta a todos os problemas de Xenoblade 2? Bom, Torna também segue um pouco essa lógica, só que de maneira muito mais direta, ao ponto que dá para considerar de certa forma que esse é o Xenoblade 2.5. Tudo está muito melhor que no jogo base, mas ainda assim não alcança o nível de maestria que foi apresentado no terceiro título.
O motor gráfico foi trocado trazendo uma performance muito melhor, os diálogos são melhor escritos, os personagens também mais desenvolvidos e interessantes, os sistemas simplificados, inclusive o de batalha, que perdeu etapas para se tornar mais dinâmico e de quebra ganhou uma das melhores músicas de batalha dos JRPGs. Aliás, eu não falei antes, mas tanto o jogo base quanto essa expansão mantém o alto nível das músicas, como já é tradicional da série.
Como também já era de se esperar de uma expansão, a duração da jornada é bem mais curta que a do jogo principal, mas vale lembrar que Xenoblade é uma série de jogos gigantescos, o que aqui significa coisa de 30 ou 40 horas dependendo de como você joga. O meu único problema com o ritmo do jogo é que para avançar até a última batalha ele exige que você faça praticamente todas as missões secundárias, o que não chega a ser algo lá muito complicado, mas me soa como uma forma muito artificial de aumentar a duração do título e bem desnecessária ao meu ver.
Pode parecer estranho, mas é uma expansão que funciona muito bem sozinha, sem obrigatoriamente a pessoa ter jogado o título principal, o que explica muito porque em versão física ele ser um jogo a parte. Assim como o jogo base, é um título que eu recomendo mais para quem quer se aprofundar no universo da série, ou mais especificamente no universo do segundo jogo, mas vai saber, quem quiser se aventurar por um mundo mais condensado, com um bom sistema de combate, boa história e bons personagens, talvez esse valha mais a pena.
Xenoblade Chronicles: Definitive Edition (Switch)

Para quem nunca jogou, Xenoblade Chronicles é um JRPG de Tetsuya Takahashi, que também foi responsável por títulos como Xenogears e Xenosaga, com um sistema de combate que se assemelha muito a um MMORPG e conta a história de um mundo onde seres biológicos e mecânicos vivem sobre as carcaças de grandes deuses mortos, em uma guerra constante entre ambas as facções, tudo sob o ponto de vista de Shulk, um jovem cientista que após adquirir uma poderosa espada chamada Monado, que lhe dá visões do futuro, resolve finalizar o conflito de uma vez por todas. Ele foi lançado lá no Wii e precisou de muito barulho por parte dos jogadores para que fosse trazido para o ocidente depois de seu lançamento no Japão.
A essa altura alguém já deve estar completamente perdido em relação a ordem que eu escolhi para jogar os jogos dessa série, mas o primeiro Xenoblade é um título que eu já conhecia desde o seu lançamento lá no Wii, então jogar essa nova versão foi muito mais um exercício de memória do que de novidade. Porém eu confesso ter ficado surpreso com a edição definitiva, que claro, traz gráficos melhores, personagens com visuais mais próximos aos do segundo jogo e até mesmo uma trilha sonora com novos arranjos para as músicas, mas também melhorias pontuais de interface que podem parecer bobagens, mas que tornam esse jogo muito mais palatável.
Apesar da história principal ser legal, as missões secundárias no original eram bem sem graça e normalmente envolviam vagar pelo mundo em busca de itens aleatórios bem chatos de achar. Embora em termos de narrativa nada tenha sido mudado aqui, agora os locais aos quais você precisa ir ou itens que são necessários ficam marcados no mapa, facilitando muito as coisas e permitindo que eu pela primeira vez tenha feito todas as missões secundárias desse jogo. O sistema de combate também agora tem as suas minúcias melhores indicadas, o que facilita muito a entender não somente qual o melhor ataque a se utilizar no momento adequado, mas também se a sua posição em relação ao inimigo está correta, algo que as vezes era um pouco difícil de entender no original.
No final das contas é o mesmo jogo de anos atrás, então nenhuma novidade para quem já jogou, salvo a história extra, que eu falarei mais a frente. Xenoblade é um ótimo primeiro jogo de série, com personagens carismáticos, trama complexa e cheia de reviravoltas, as vezes até reviravoltas demais, que é bem desenvolvido o suficiente para prender a atenção do jogador. Eu sempre fui fascinado como eles conseguiram encaixar um aspecto da história, as visões do futuro que a Monado fornece a Shulk, dentro do sistema de batalha, que como eu disse é mais simples do que os seus sucessores, mas por conta desse aspecto acaba também sendo único dentro da série. Comparando com os títulos atuais ele é bem simples, mas isso não necessariamente é uma coisa ruim, é bom as vezes não ter que ficar preocupado com zilhões de sistemas sobrepostos, sufocando o jogador.
Xenoblade Chronicles: Future Connected (Switch)

A edição definitiva do primeiro Xenoblade para o Switch traz uma expansão de história chamada Future Connected, que acrescenta coisas ao universo da série que vão ser muito importantes lá em Xenoblade 3 e sua expansão de história. Ela se passa um ano após o final do primeiro jogo e é focada nos personagens Shulk e Melia, que irão explorar o Ombro de Bionis, uma região que não é explorável no jogo base.
É uma aventura pequena, menor do que Torna, e que apesar da ponte que eu citei para os outros jogos da série, para mim acabou funcionando muito mais como uma forma de explorar mais a personagem Melia, que é a que tem mais destaque. Aqui é interessante ver ela lidando com as consequências dos acontecimentos anteriores e a sua relação o seu povo. Sem entrar em maiores detalhes, é um bom epílogo para Xenoblade.
O sistema de combate não traz mudanças muito significativas e a equipe reduzida ajuda a manter um foco maior em entender as mecânicas de cada um. Melia segue a mesma lógica do jogo base, ela é uma personagem que tem foco em evocar elementos e só então usá-los para atacar, e se você ignorou ela antes, aqui é uma excelente oportunidade de entender como a personagem funciona.
Por ser uma aventura já embutida na edição definitiva do primeiro jogo, não há porque não jogar um sem jogar o outro. Não acho que ela por si só justifica comprar o jogo para quem já o conhece de antes, mas para aqueles que querem revisitar Bionis e seus habitantes e assim entender melhor sobre o universo da série, excelente pedida.
Xenoblade Chronicles 3 (Switch)

Então, assim... eu joguei Xenoblade 3 novamente! Mas calma, eu não joguei tudo novamente não, mas é que para finalizar toda essa grande saga, ficaram faltando as DLCs do terceiro jogo e, além de novas roupas para os personagens, desafios e essas coisas, ela também acrescentou duas novas heroínas a história, Ino e Masha, cada uma com a sua própria trama e características.
Não vou me estender muito aqui, porque de fato não há muito o que acrescentar, as duas novas personagens são interessantes, mas não trazem nenhum grande arco de história, até por não estarem tão bem integradas a trama principal como tantos outros personagens, mas talvez elas não tenham funcionado tão bem para mim por eu ter feito as missões delas com já tudo terminado, talvez para quem encontre elas mais organicamente ao longo do jogo as coisas fluam melhor.
Xenoblade Chronicles 3: Future Redeemed (Switch)

Enfim o gran finale da saga numerada de Xenoblade, pelo menos até agora, a história que une todas as outras. Sim, Xenoblade é uma série que apesar das suas ligações, você consegue jogar em qualquer ordem sem maiores problemas, por mais que seguir a numeração seja mais fácil, mas esta expansão de história de Xenoblade 3 não, ela definitivamente é a última coisa que você deve jogar da série, já que ela puxa os elementos de todos os outros jogos de uma maneira muito mais direta.
Assim como Torna, Future Redeemed também se passa antes da história do jogo base, onde acompanhamos o personagem Mathew e sua companheira de batalha A, em sua história de vingança contra os Moebius, um grupo antagonista que foi responsável pela morte do seu avô, desaparecimento de sua irmã e destruição da sua cidade. No meio do caminho ele irá encontrar personagens novos, além de outros já conhecidos e irá amarrar pontos do universo de Xenoblade que você nem sabia que existiam, ao mesmo tempo que no processo irá gerar mais um milhão de dúvidas na sua cabeça. Embora seja uma história que encerra todo um grande arco, eu duvido muito que o universo de Xenoblade irá parar por aqui, e para quem segue mais de perto, muitas coisas já foram reveladas em entrevistas com os desenvolvedores que dão mais dicas nessa direção.
Embora eu ainda prefira o jogo base, os diálogos e personagens seguem muito bem escritos aqui também, apesar de tudo que eu disse antes, Mathew tem espaço o suficiente para ter a sua própria história desenvolvida e é carismático o bastante para um protagonista, além de mesmo mecanicamente, apesar de não ser o personagem mais forte de todos, ele com certeza foi desenvolvido para o ser o mais gostoso de se jogar, é impressionante como todos os golpes dele passam uma satisfação sem igual ao acertar o adversário.
Aqui outra lição também foi aprendida, já que diferente de Torna, o jogo fluí de maneira muito mais orgânica, ao mesmo tempo que também é mais contido, mas sem deixar de trazer diversas coisas para quem quer se perder nas muitas e muitas horas que esse mundo tem a oferecer. A narrativa que ele traz não somente faz esse tão falado fechamento da história da série até aqui, mas também funciona muitas vezes como um passeio por tudo o que já aconteceu e por isso dificilmente funcionaria bem para quem resolva chegar diretamente nesse episódio sem passar pelos anteriores. É estranho falar dessa forma, já que o final de tudo mesmo se dá no Xenoblade 3 base, mas a compreensão do mundo que Future Redeemed dá altera até mesmo como você viu tudo o que aconteceu anteriormente. Embora individualmente não seja o meu ponto mais alto da série, eu não poderia ter recebido melhor encerramento do que esse e estou ansioso mesmo com o que virá para Xenoblade, que hoje é de longe uma das minhas séries preferidas. Quem sabe a edição definitiva de Xenoblade X, que já foi lançada, mas eu ainda não joguei e também traz uma história extra inédita, não junte aquele mundo a esse e deixe as coisas ainda mais confusas e bagunçadas, que no final das contas é o que a gente quer desses jogos.
Street Fighter 6 (PlayStation 4)

Eu continuo adorando Street Fighter 6, a dinâmica do jogo, as mecânicas, o visual, o estilo e tudo mais. Mas a real é que eu joguei muito pouco dele, ao ponto de quase não colocá-lo na lista, porém quero usar esse espaço para uma reflexão pessoal.
Jogos de luta são um gênero do qual eu gosto bastante, algo totalmente influenciado por como eu tinha acesso a videogames na infância, o que se resumia a ficar vendo os outros jogando em bares que tinham alguma máquina de jogo de luta, as quais eu raramente jogava, dependendo das vezes que o meu pai me pagava algumas fichas. Aliás, Street Fighter sempre foi a minha série preferida do gênero, embora eu tenha vagado por outras diversas, principalmente as da SNK. Mas atualmente a minha relação com esse gênero tem ficado meio complicada.
Um dos primeiros pontos é como esse tipo de jogo passou a ser comercializado, nesse formato em que você compra o título, mas para tê-lo completo é preciso comprar passes e mais passes de temporada, fazendo com que o valor final seja bem mais alto do que um jogo tradicional. Eu entendo que esse foi o modelo de negócio encontrado pelos estúdios para manter esse gênero que talvez de outra forma teria sumido, mas continua sendo algo bem estranho para mim... maldito capitalismo!!!
Outra coisa é a questão de como eu não consigo encaixar muito bem os jogos de luta na minha fila de jogos. Claro que eles são perfeitos para aquela jogada rápida, sem exigir muito de mim, mas dado todo o contexto que eu já disse, ainda vale a pena comprar um jogo que só vai servir para esses momentos pontuais, sendo que eu já tenho tantas outras opções disponíveis para isso? Alie isso ao fato de que eu não sou muito de jogar online e mal tenha assinaturas nas plataformas para isso.
Para me dar um direcionamento melhor, eu comecei a colocar como meta terminar o modo arcade de Street Fighter 6 pelo menos uma vez com cada personagem disponível do jogo base, fora que eu ainda não voltei para o modo World Tour, que é legal, mas não me pegou tanto assim. Talvez ver ele como outros tipos de jogos, em que eu tenho um caminho determinado até o final funcione melhor para mim, não é muito diferente de como eu jogo um Mario Kart, por exemplo, em que meu objetivo sempre é vencer todas as copas.
The Witness (PlayStation 4)

The Witness é um jogo que há tempos estava instalado no meu PlayStation 4, só esperando a oportunidade de ser jogado e finalmente a sua hora chegou. É um curioso jogo de quebra-cabeças, onde os desafios estão espalhados em uma grande ilha, com cada área tendo um tipo de desafio com suas próprias lógicas e onde eventualmente você vai se deparar com umas gravações de pessoas reais falando sobre conceitos filosóficos diversos da vida: sim, é bem viajado.
Os desafios se desenrolam de maneira simples, normalmente é um painel em que você tem que traçar um caminho de um ponto A ao B, porém seguindo regras específicas, ao resolver você habilita o próximo, então o próximo e assim por diante, muitas vezes também envolvendo o ambiente ao redor do personagem. Embora no começo as coisas sejam razoavelmente simples, tem alguns desafios que me faziam querer jogar o controle na parede e me sentir o ser humano mais burro da face da Terra, em especial na área final do jogo. Felizmente muitos dos maiores desafios são opcionais e você não é obrigado a terminar todas as áreas para chegar ao fim do jogo, bastando uma quantidade mínima, então se algo está te frustrando muito, o que aconteceu comigo várias vezes, é só sair caminhando, explorando o cenário e achando outros quebra-cabeças. Por outro lado, a sensação de conseguir finalmente entender uma lógica e resolver um desafio depois de horas matutando sobre aquilo, muitas vezes é extremamente satisfatória, removendo todo o sentimento negativo citado anteriormente e fazendo você se sentir a pessoa mais inteligente do planeta, seja lá o que isso signifique.
Embora ele tenha essa estrutura aberta, com você controlando um personagem, não há uma narrativa muito bem definida em The Witness. A todo momento a ilha parece querer te contar alguma história com o seu cenário, existem estátuas, construções e instalações que parecem significar algo, mas nada é muito explícito, inclusive o final. Eu sinto que esse é um daqueles jogos em que você vai lá, monta as peças na sua cabeça e tira as suas próprias conclusões sobre o grande significado das coisas. Mas de qualquer forma, esse também é um dos grandes charmes desse jogo.
Eu sei que hoje em dia sabemos que Jonathan Blow, diretor e escritor do jogo, é um grandessíssimo arrombado, mas The Witness ainda sim é um jogo difícil de ignorar, ele é muito criativo, variado, extremamente bem feito, com uma direção de arte lindíssima e o conceito de desafios espalhados em um mundo aberto é algo que não tem muitos pares por aí. Vai de cada um querer jogar ou não, eu confesso só ficar sabendo das coisas que o desenvolvedor fez depois, mas enquanto jogo foi de longe uma das melhores experiências que eu já tive com videogames.
Astral Chain (Switch)

Astral Chain é um jogo da Platinum mais do começo do Switch que eu sinto que ficou um pouco esquecido ao longo do tempo, mas que definitivamente é um dos jogos mais legais do console. Se trata de um jogo de ação, exploração e investigação dividido em fases lineares, em que você controla um(a) policial futurista, que luta para proteger uma cidade meio cyberpunk de ataques de monstros interdimensionais, ao mesmo tempo em que você utiliza um desses monstros como arma, através de uma tecnologia recentemente desenvolvida.
A lógica geral dele é bem simples, normalmente rola um trecho da história, você vai para uma fase com um mapa aberto não muito grande, cumpre algumas missões, coleta algumas pistas, interroga algumas pessoas e então vai para a parte da porrada propriamente dita. Mecanicamente ele não chega a ser um Bayonetta, tendo um ritmo mais cadenciado, mas a dinâmica do seu personagem com os Legions, os bichos que te ajudam no combate, é bem divertida e diferente de outros jogos do gênero, apesar de ser estiloso no combate também ajudar a obter notas altas, saber utilizar o seu companheiro de forma mais eficiente também é de suma importância.
Tecnicamente é um jogo muito impressionante, os visuais dele, muito estilizados, são muito bonitos e aqui o erro cometido em Bayonetta 3, de tentar alcançar os 60 quadros e falhando praticamente o jogo inteiro, não foi cometido, se limitando a estáveis 30 quadros e mantendo a jogabilidade mais fluída. Aliás, falando no jogo da bruxa da umbra, foi impressionante ver como Astral Chain influenciou muito Bayonetta 3 em seus segmentos de exploração, embora eu ache que aqui, pelo jogo realmente ser focado nessa estrutura, as coisas fluam muito melhor.
É um jogo ótimo para quem gosta do gênero, mas sente falta de um algo a mais do que simplesmente socar hordas de inimigos, ele não é necessariamente genial em sua história e exploração, mas tudo é muito variado e interessante, com sequências exageradas, músicas empolgantes, temas cantados e toda aquela vibe anime que são comuns de jogos japoneses desse tipo.
Disco Elysium - The Final Cut (Switch)

Finalmente eu joguei Disco Elysium e olha, que jogo! Definitivamente é um título que merece todos os elogios que teve e os lamentos sobre o destino horrível do estúdio, com a maioria dos envolvidos no jogo se demitindo após diversas brigas com a empresa mãe.
Ele é um RPG em um sentindo bem tradicional, com direito a rolagem de dados em situações críticas e fortemente focado em diálogo, em que você é um policial alcoólatra, deprimido, com amnésia, mas que ainda sim está em uma pequena cidade junto a seu parceiro recém designado, Kim, para descobrir quem foi o responsável por um assassinato que aconteceu há poucos dias. Você no começo do jogo decide quais serão as suas habilidades e elas farão parte da sua jornada junto com você, já que o personagem principal literalmente interage mentalmente com aspectos de sua consciência e isso influência diretamente no jogo, nos proporcionando diálogos extremamente bem escritos e momentos verdadeiramente tocantes. Aliás, tudo o que diz respeito a texto nesse jogo é absurdamente bem escrito. Como é de se esperar de um jogo desse tipo, as suas ações normalmente tem consequências e muitas coisas podem ser resolvidas, ou não, de maneiras bem diferentes.
Outro aspecto muito interessante de Disco Elysium é a sua construção de mundo. Embora em um primeiro momento pareça que o mundo do jogo seja o nosso, na verdade se trata de outra realidade, parecida com a nossa, mas que possuí aspectos muito particulares, como linguagem, tecnologia e principalmente, sua história. É um mundo que passou por uma grande guerra em anos passados, mas que ainda sim ecoa por toda a sociedade ali presente. Como consequência, há um forte teor político pelo jogo com claros paralelos com a nossa sociedade, que embora seja muito interessante e ponto muito exaltado do jogo, eu ache que nunca chegue a uma profundidade desejada e por vezes seja maniqueísta por demais. Fica inclusive a minha nota de descontentamento pelo jogo focar muito em comunismo, mas só ter citado o anarquismo em uma única fala, pelo menos que eu tenha visto.
Por ser um jogo completamente focado em história é difícil falar muito sobre ele sem entregar tudo, mas foi com certeza uma das melhores narrativas que já joguei com momentos inesquecíveis e emocionantes. Só é uma pena que a versão de Switch tenha um problema muito sério, que depois de um certo ponto começa a travar periodicamente, tipo a cada meia hora, obrigando você a reiniciar o console e perder todo o progresso desde o último ponto de salvamento. Mas ainda que isso tenha sido extremamente inconveniente, não me impediu de chegar até o fim dessa história, na qual eu fiquei totalmente investido e ver o belíssimo final que esse jogo tem.
Forza Horizon 5 (Xbox One)

Em uma vibe parecida com a forma como eu decidi encarar jogos de luta, eu resolvi também voltar para Forza Horizon 5, mas com um foco específico que eu considerei a minha forma de zerar o jogo: terminar todas as missões principais.
Não que eu tenha feito tudo o que esse jogo tem a oferecer, de certo modo FH5 é quase que um RPG de mundo aberto cheio de missões, só que ao invés de guerreiros e lutas, aqui você usa carros e corridas. E se eu quiser voltar para ele ainda tem infinitas coisas para fazer, inúmeras missões secundárias que vão contar um pouquinho a mais da história automobilística do México e até mesmo de sua cultura em certa medida, mas como eu disse antes, eu precisava de foco.
E foi bem divertido esse meu retorno ao jogo, embora ele ainda seja menos arcade do que eu gosto para um jogo de corrida, confesso que dessa vez eu consegui me dedicar um pouco mais a entender as minúcias dos controles e me saí satisfatoriamente bem na maioria das corridas que eu precisava para terminar as missões e até mesmo me arrisquei em algumas extras. Não que eu não tenha tido que abusar várias vezes da função de "rebobinar" os trechos das corridas para conseguir acertar uma curva ou outra, mas faz parte da mecânica do jogo, certo?!
No mais ele segue sendo um jogo de corrida com uma vibe muito gostosa, em um mundo onde todo mundo é de boa e só quer saber de corrida, tipo um Velozes e Furiosos, mas sem o excesso de testosterona... ainda que eu goste genuinamente de Velozes e Furiosos, rzs. A forma como ele retrata o México é absurdamente detalhada e te faz se sentir lá, embora obviamente seja somente um recorte muito específico do país norte americano, mas é de longe para mim uma das partes mais legais desse jogo.
Melon Drop: Fruit Merge Master (Android)

Só que como todo jogo gratuito para celular, o grande problema é o excesso de propaganda, que sempre aparecem da maneira mais irritante possível. O que eu fiz? Usei um aplicativo que já uso para outras coisas e que tem como função bloquear a internet de outros aplicativos. Sem internet para o jogo, sem propagandas... eu sou um gênio!!!
No mais o jogo é um clone idêntico a Suika Game, você vai jogando as frutas dentro de um pote, fazendo combinações que vão gerar outras frutas, tudo de forma que elas não saiam do pote e torcendo para fazer uma grande combinação que consiga eliminar as frutas do pote para que caibam mais frutas ainda, nesse ciclo infinito de frustração e dopamina. Para um clone genérico até que o jogo é bem feitinho e raramente eu tive alguma problema técnico com ele.
Para dar um senso de progressão o jogo é cheio de coisinhas para fazer, itens para desbloquear e até mesmo uma história bem bobinha sobre uma fazendeira que tem gatos meio plantas para acompanhar, mas nada com que seja necessário se preocupar, eu só queria mesmo um novo passatempo para alternar um pouco com Vampire Survivors.
The Legend of Zelda: Link’s Awakening (Switch)

Na iminência de um novo Zelda 2D, pensei ser o momento exato de revisitar um dos melhores Zeldas já feitos, desta vez em sua versão refeita para o Switch. E tal qual um vinho, Link’s Awakening é um jogo envelheceu absurdamente bem.
Primeiro que apesar dos problemas de performance, o que não me entra muito na cabeça, já que é um jogo bem longe da ambição de um Tears of the Kingdom, esse é um remake muito bem feito, com um capricho muito carinhoso por parte da Grezzo, estúdio responsável por essa versão. Do visual fofinho, lembrando pequenos bonecos de brinquedo a trilha sonora completamente refeita, tudo parece ter sido feito com toda a dedicação possível e absurdamente bem conectado com a vibe do jogo, que vale lembrar, foi originalmente lançado para o primeiro Game Boy.
Mas apesar das mudanças mais estéticas, ainda é o mesmo excelente jogo de sempre, aliás sendo impressionante como os desenvolvedores conseguiram recriar a sensação de jogar aquele mesmo jogo do Game Boy, mesmo com algumas melhorias mecânicas que foram introduzidas. Tudo está ali da mesma forma que era antes, salvo as missões das fotos, infelizmente substituídas pela adição do coveiro Dampé e seu chatíssimo modo de construção de masmorras, que não é nem de longe legal como possa parecer. Por outro lado, o labirinto colorido, adição que foi feita na versão para Game Boy Color do jogo, aqui aparece mais uma vez para fornecer uma armadura extra para Link.
E como eu disse antes, esse é um jogo excelente até hoje, apesar de sua curta duração para um jogo da série e sua simplicidade. A narrativa onírica e totalmente não convencional, a liberdade que o jogo te dá para combinar os itens e achar a sua própria forma de jogar e o excelente design das masmorras, coloca ele fácil entre um dos meus Zeldas preferidos. Aliás, falando de masmorras, a Torre da Águia é disparada uma das melhores de todos os jogos da série.
Para quem nunca jogou e gosta desse tipo de jogo, eu o recomendo fortemente, seja no Switch ou emulador, vale até mesmo a versão do Game Boy Color, que você consegue rodar em qualquer celular hoje em dia. É um jogo completamente experimental da Nintendo, com um nível de criatividade absurdo e que para mim só foi ter par nesse aspecto com Majora’s Mask.
Leia a nossa análise de The Legend of Zelda: Link’s Awakening
Bomb Rush Cyberfunk (Switch)

Esse aqui é para todes aqueles que, como eu, são órfãos de um novo Jet Set Radio, um dos melhores jogos do Dreamcast, ao menos até que a SEGA finalmente lance aquela continuação da qual eles fizeram um teaser há um tempo atrás. Enfim, o estúdio neerlandês Team Reptile cansado de esperar, foi lá e fez a sua própria sequência espiritual e o resultado foi magnifico.
Aqui houve um foco muito grande em replicar exatamente o espírito dos jogos originais, Jet Set Radio e sua continuação Jet Set Radio Future, sem trazer mudanças muito significativas, e o jogo consegue ser extremamente competente nisso, jogar Bomb Rush Cyberfunk é voltar para os anos 2000 e se sentir jogando um Jet Set Radio Neo Future em um Dreamcast 2. É um jogo sobre nostalgia, porém de algo que de fato há muito tempo não habita entre nós. Pode parecer pouco, mas também é preciso levar em consideração outra coisa: este é um jogo de um estúdio independente e é claro ao longo do jogo que eles tiveram que escolher muito bem as suas batalhas para não ampliar demais o escopo e tornar o jogo inviável de ser produzido.
Mas nada disso significa que o jogo não tenha sido feito com um esmero e dedicação que ele merecia: os controles são muito mais precisos do que os dos jogos nos quais o título se baseia, as mecânicas são simples e funcionais, os gráficos são impecáveis e a trilha sonora um primor, com direito a faixas de Hideki Naganuma, um dos compositores mais notáveis de Jet Set Radio. Apesar da simplicidade, o jogo também é cheio de personalidade e ainda encontra espaço para originalidade, tanto em mecânicas, quanto em personagens e até mesmo em sua história, ainda que seja bem simples.
Outra coisa também é que aqui a polícia é um adversário que vai eventualmente trazer algum desafio ao jogador, mas bem longe da apelação que era em Jet Set Radio, mesmo em níveis mais altos. Isso dá espaço para que navegar pelos cenários não seja só frustrante e sim divertido, ainda mais que é um jogo apinhado de desafios e colecionáveis.
Talvez não seja um jogo que terá um apelo para todos os jogadores, mas para aqueles carentes de um novo título da série na qual o jogo se baseia, Bomb Rush Cyberfunk é de longe a melhor opção do gênero.
The Legend of Zelda: Echoes of Wisdom (Switch)

Depois das minhas aventuras pela ilha de Koholint em Link’s Awakening, foi a hora de colocar as mãos no mais recente lançamento da série Zelda, Echoes of Wisdom. E esse jogo é especial não somente pelo retorno de um título em 2D da série depois de muito tempo, mais uma vez pela Grezzo, como também o de vários marcos: é o primeiro Zelda feito pela Nintendo em que jogamos com a própria Zelda, é o primeiro jogo da série a ser dirigido por uma mulher, Tomomi Sano, e o primeiro Zelda a ser lançado oficialmente em português brasileiro!!!
Em uma clássica inversão de papéis, o jogo até começa com você controlando Link, mas as coisas rapidamente saem do roteiro e é Zelda quem terá que se desdobrar para salvar o herói calado. Mas ao invés de ser apenas um Link com visual diferente, as mecânicas de Zelda nesse jogo se baseiam em uma habilidade que a permite copiar objetos e inimigos para utiliza-los para explorar os cenários e até mesmo nos combates, como uma maga conjuradora, ou algo do tipo, com uma liberdade mecânica que em muito lembra a sensação que nos é dada em Tears of the Kingdom, porém em uma escala proporcionalmente menor. Ainda sim, eu gostei muito das mecânicas, apesar das suas limitações, é bem divertido ficar encontrando maneiras criativas de resolver os problemas que o jogo traz ao jogador, ainda que existam soluções bem óbvias. O único porém fica para o combate que não consegue ser tão bem resolvido, ainda que funcional e que a batalha final seja uma das melhores partes do jogo.
O clima dele também é excelente, sendo tudo muito fofinho, tanto pelo visual quanto pela narrativa do jogo mesmo, e como eu disse antes, tudo em português em uma localização excelente, que consegue encaixar muito bem um humor e piadas bem típicas nossa. A forma como a Zelda é tratada, com a ideia de uma princesa se colocando a frente do problema e mostrando para todes de que também é capaz, combinou muito bem com a personagem. Também é bem legal como eles trazem os vários elementos mais modernos da série e até mesmo resgatam coisas que ficaram lá para trás, como os Zoras de água doce, lá do Super Nintendo.
É um jogo que não é tão bem resolvido quanto Link’s Awakening, mas ainda sim uma grata surpresa para esse final de vida do Switch, feito com tanta dedicação quanto o port do título anterior, ainda que ele tenha os seus problemas de performance mais acentuados e as mecânicas novas apesar de criativas, ainda carecem de refinamento. Por outro lado, eu gostei muito dessa nova direção que o jogo deu para os Zeldas 2D e espero de verdade que os desenvolvedores voltem a ter a chance de fazer algo novo nessa mesma linha.
Wolfenstein: The New Order (Xbox One)

Infelizmente nós vivemos em tempos em que os neonazi perderam o medo de ficar sem os dentes na boca e, agora não fazem cerimônia em gritar por direitos (sic) e até mesmo buscar por cargos políticos. Então embora não vá fazer absoluta diferença nenhuma no mundo real, não deixa de ser um pouco catártico se embrenhar em uma série sobre matar nazistas da forma mais sanguinária possível e foi isso que eu fiz começando por Wolfenstein: The New Order.
A essa altura esse já é um jogo bem antigo, lá da época do PlayStation 3 e Xbox 360, e mesmo para um boomer shooter, que são esses jogos de tiro em primeira pessoa mais parecido com os clássicos como Doom, onde não existe uma busca por realismo e sim em ser o mais fodástico e exagerado possível, ele é bem simples. Mas nem por isso The New Order é ruim, mesmo na sua simplicidade ele cumpre muito bem o que promete e matar nazistas, hum, gostoso demais.
Mas por incrível que pareça, um dos pontos altos desse jogo está em sua narrativa, algo que a MachineGames, desenvolvedora do jogo, manda muito bem. E só para deixar claro, o que eu estou falando aqui é sobre o modo de contar a história e não sobre a história em si, que eu resumiria basicamente em um "Rambo meio judeu que mata nazistas na segunda guerra", com o Rambo no caso sendo o protagonista, B.J. Blazkowicz. Claro, The New Order traz uma realidade paralela bem "interessante", em que os nazistas subjugaram o mundo com tecnologias muito superiores às dos aliados e quais as consequências disso, mas como eu disse, o que é legal mesmo é a dinâmica de como essa história é contada, de um jeito que prende muito a nossa a atenção e faz com que tudo seja foda e grandioso.
Porém tem uma ressalva que eu gostaria de fazer e que vai valer para todos os outros jogos da série que eu irei falar na sequência. Embora The New Order traga como tema muito dos horrores que a Alemanha nazista de fato fez, as vezes fazendo comentários até bem conscientes sobre o assunto, ainda que de maneira um pouco torta e questionável, se posicionando politicamente de forma muito clara, esse não é nem de perto o foco do jogo, no máximo um fio condutor da narrativa. O objetivo aqui é o tiro, o sangue, o exagero, o humor, então toda a temática muitas vezes e mais estética do que qualquer outra coisa. E veja bem, isso não é uma crítica ao jogo, eu acho ele bem sincero no que se propõe e duvido muito que alguém entre nele de maneira enganada.
No fim The New Order é um jogo ótimo, com boa história, uma narrativa excelente e mecânicas simples e eficientes, embora eu confesse ter odiado as batalhas contra chefes que esse jogo tem, felizmente bem pontuais. A construção de mundo dele é muito criativa e consegue criar um distanciamento da realidade grande o suficiente para que certas coisas não soem desrespeitosas para com aqueles que de fato passaram pelos horrores da guerra, ainda que aconteça um deslize aqui ou ali nesse aspecto.
Wolfenstein: The Old Blood (Xbox One)

The Old Blood é quase que uma expansão de The New Order, mas que funciona como um jogo a parte. Mecanicamente é a mesma coisa, mas a história aqui se passa antes dos acontecimentos do jogo base, com B.J. Blazkowicz explorando o Castelo de Wolfenstein, local que dá nome a série e que foi cenário do primeiro jogo lá em 1981, em busca de segredos nazistas que darão vantagens para os aliados durante a guerra.
Diferente do jogo base, aqui a narrativa é muito mais secundária, aparecendo bem menos, sendo que o grande foco ficam nas mecânicas mesmo, que pouco se diferenciam de The New Order. Porém enquanto no jogo anterior a dificuldade era mais equilibrada, aqui tudo tem um tom de "modo desafio", exigindo que você pense um pouco melhor antes de sair atirando para todos os lados de maneira desajeitada, ainda que nada absurdamente frustrante.
Eu confesso que essa mudança de perspectiva de história para só ação não me pegou muito e em alguns momentos me cansou um pouco, mas por ser uma história extra e consequentemente menor, a curta duração não deu tempo o suficiente para que eu tenha de fato ficado frustrado. Não acrescenta muito a série, mas eu entendo que para a época foi um jogo que fez total sentido para aqueles que terminaram The New Order e ainda queriam mais.
Wolfenstein II: The New Colossus (Xbox One)

Agora sim, uma continuação de fato, The New Colossus segue a história de B.J. Blazkowicz e seu grupo rebelde contra os nazistas, dessa vez com o foco em libertar um Estados Unidos ocupado, as vezes com um tom meio "liberdade para a America" além da conta, mas ainda caricato o suficiente para não ser levado a sério demais.
Como um jogo que foi lançado para um geração posterior, na época de PlayStation 4 e Xbox One, The New Colossus eleva o que The New Order fazia a níveis muito mais frenéticos, a ação agora permite que você seja um pouco mais agressivo do que no jogo anterior e embora não chegue no mesmo nível de um Doom (2016), deixa tudo mais fluído e divertido. Os desenvolvedores deixaram a imaginação correr solta na hora de desenvolver novas armas e inimigos, de modo que tem coisas que parecem estar lá só porque alguém pensou que seria divertido, normalmente com razão.
A princípio a ambientação do jogo me incomodou um pouco, pois há uma mudança sutil no tom das coisas. Enquanto The New Order trazia uma tecnologia nazista retrofuturista, com uma vibe quase que steampunk, na falta de uma palavra melhor, The New Colossus acaba descambando para algo mais futurista mesmo, com diversos momentos em que parecia que eu estava jogando uma história que se passava em tempos mais atuais e não na década de 1940. Eventualmente essa estranheza passou e eu só aceitei que o jogo era daquele jeito mesmo, rzs.
Mas mais uma vez a MachineGames brilhou em relação a narrativa. Como dessa vez os personagens já trazem toda uma carga de história do título anterior e o começo do jogo já introduz uma série de outras coisas, é claro que o tom começa bem mais sério e dramático. Porém por um bom tempo tudo parecia estranho, não que o jogo estivesse ruim, mas era um clima diferente do que eu esperava para um Wolfenstein. Porém sem entrar em maiores detalhes, eventualmente coisas acontecem na história e tudo faz sentido, você percebe que o sentimento estranho que o jogo proporciona é totalmente proposital e tudo faz sentido de uma maneira genial, influenciando até mesmo a parte mecânica de modo que você realmente sinta o impacto da história no personagem principal. E eu sinto que sem isso esse jogo não teria o impacto positivo que teve em mim ao terminá-lo, aliás, em um final que eu sei que muita gente não curte muito, mas eu pessoalmente achei narrativamente perfeito.
Ao contrário do que acontece muitas vezes, aqui a lógica do melhor e maior fez bem a Wolfenstein, muito pelo talento da MachineGames em como guiar as mecânicas do jogo através da narrativa. The New Colossus é mais exagerado e divertido que seu antecessor, sem ter medo do quão ridícula a sua história possa ser, nos entregando o que para mim é o ponto alto da série, ao menos em sua fase moderna, até agora. Fica agora a esperança para talvez um dia haver uma continuação com um eventual Wolfenstein III...
Wolfenstein II: The New Colossus - Crônicas de Liberdade (Xbox One)

Crônicas de Liberdade é uma expansão de The New Colossus, mas diferente do que foi The Old Blood para The New Order, aqui ele funciona como uma DLC mesmo dentro de Wolfenstein II.
A história é dividida entre três personagens, cada um com estilos de combate completamente diferentes, como se fosse aspectos de B.J. Blazkowicz, mas que no fundo se resumem ao bom e velho matar nazistas (gostoso demais). Não são as narrativas mais inspiradas do mundo, as cenas de história são contadas através de ilustrações narradas, mas como já deu para perceber ser comum neste tipo de DLC, a ideia aqui é ter mais Wolfenstein para quem já terminou o jogo base e ainda quer mais. De qualquer forma, é interessante ver perspectivas diferentes sobre esse mundo dominado pelos nazistas, saindo um pouco do núcleo principal, ainda que de maneira um pouco rasa.
Eu pessoalmente peguei essa DLC gastando os pontos que ganho com o programa de recompensas da Microsoft em um momento em que a expansão estava bem barata em promoção, o que sinceramente é o ideal para Crônicas da Liberdade, já que ela não acrescenta muita coisa a série nem a experiência do jogo base.
Wolfenstein: Youngblood (Playstation 4)

Para fechar a minha jornada pela saga moderna de Wolfenstein, foi a vez de jogar Youngblood, que se passa no futuro da série, pulando um grande trecho da história do que acontece depois de The New Colossus e provavelmente do que um dia, talvez, será um terceiro jogo principal da série, sendo ambientado na Paris dos anos 1980. Só que ao contrário dos jogos anteriores, aqui as personagens principais são as filhas de B.J. Blazkowicz, duas adolescentes altamente treinadas, mas que nunca estiveram em combate real e cresceram ouvindo as histórias de como os seus pais lutaram na guerra para livrar os Estados Unidos dos nazistas.
Youngblood é um jogo da série bem diferente e o quanto isso vai ser bom, neutro ou ruim, vai variar dos gostos e expectativas de cada um. Logo de cara é bom saber que ele nem de perto tenta ser um Wolfenstein III, a decisão de fazer a história se passar muito mais no futuro com outros personagens já deixa isso bem claro. Outra coisa é que sim, ele é um jogo pensado para se jogar online com um amigo, ainda que isso não seja obrigatório, mas apesar de ele possuir uma estrutura de missões com um hub principal e uma narrativa bem mais solta, lembrando muitas vezes algo mais próximo de um jogo como serviço, ele ainda sim é pensado para ser jogado em torno de uma história. É um meio termo estranho, mas que para mim pelo menos funcionou a contento.
Mecanicamente eu não achei ele tão refinado quanto The New Colossus, talvez por ser um título que ficou a cargo da Arkane Lyon (de Dishonored) ao invés da MachineGames, eu senti falta principalmente do peso que os ataques corpo a corpo que B.J. Blazkowicz tinha nos títulos anteriores, mas ainda sim ele é bem divertido. É um pouco estranho porque agora todo o sistema de progressão é baseado em experiência e comprar habilidades com os dinheiros do jogo, mas depois que se acostuma a coisa fluiu bem. Embora ele agora tenha todo um sistema de que inimigos diferentes pedem tipos de armas diferentes para serem derrotados mais facilmente, eu confesso que joguei a maior parte do jogo com a escopeta, porque jogar com a escopeta é mais legal e também porque eu sou ruim de mira e o tiro dela "espalha" mais, rzs.
Ainda que seja um jogo bem diferente dos outros da série, Youngblood é sim bem divertido e imagino que seja um ótimo título para quem quer jogar algo com outro amigo a distância. A minha experiência jogando sozinho também fluiu bem, o computador ficou a cargo de uma das irmãs e por mais que se perca a dinâmica de jogar com outra pessoa, raramente ela me atrapalhou a ponto de eu ficar puto com isso. As duas personagens também são muito legais, elas o tempo todo alternam entre se zoar, lembrar de suas infâncias e compartilhar seus pensamentos, sendo uma ótima forma de construção de personagens sem ter que apelar para uma história muito rebuscada. Como ele tem essa estrutura parecida com a de jogo como serviço, também é um bom jogo para jogar despretensiosamente mesmo depois que terminar a parte de história, só para matar um tempo mesmo.
Outer Wilds: Archaeologist Edition (Switch)

Outer Wilds é um jogo que eu amo, está muito alto na minha lista de melhores jogos, mas que tem um problema muito sério: não existe uma progressão de jogo propriamente dita, o que você adquire e faz seguir em frente é o conhecimento das coisas, então uma vez que você jogou ele e entendeu tudo, meio que jogá-lo novamente acaba ficando sem graça... ou nem tanto.
A verdade é quer jogar Outer Wilds novamente acabou sendo uma experiência bem legal, mesmo eu já sabendo de todos os pontos principais do jogo. Só para explicar rápido, ele é um jogo de mundo aberto em que você é um astronauta alienígena que sai para explorar o seu sistema solar, que no passado longínquo foi habitado por uma outra civilização muito avançada tecnologicamente, mas que misteriosamente foi toda morta por motivos desconhecidos. Então não é um jogo em que você é um agente de qualquer coisa, você é um mero observador que coleta informações e vai entendendo o que aconteceu no passado. E como apesar de eu lembrar do principal da história, já havia um tempo em que eu o tinha jogado, foi legal rever todos os detalhes e coisas que mesmo você sabendo, ainda são muito interessantes de se ver. Para deixar as coisas mais ou menos equilibradas, eu tentei não me utilizar demais dos meus conhecimentos prévios, seguindo mais ou menos a linha de só usar os conhecimentos que o personagem já tinha.
Mas não foi por isso que eu voltei para esse jogo e se você quiser saber realmente o que eu acho dele pode ler a minha análise que escrevi na época. O que de fato me trouxe de volta a Outer Wilds foi a sua DLC, Echoes of the Eye, que embora esteja integrada ao jogo base, acaba sendo praticamente um segundo jogo do estúdio, tão bom quanto o primeiro. De fato, para ficar mais fácil, irei tratar jogo base e DLC como se fossem títulos separados.
Sem detalhar demais para não estragar a surpresa de ninguém, Echoes of the Eye muda um pouco as coisas, primeiro por se passar em um único local, ainda que bem grande. Continua sendo sobre você ir descobrindo as coisas e entendendo certas lógicas para conseguir alcançar outros lugares, mas de um modo diferente de Outer Wilds, do elemento textual aqui as coisas passam a acontecer de maneira mais visual, digamos assim. E se você achava a imensidão do espaço algo assustador e opressor, Echoes of the Eye traz alguns momentos de muito suspense e quase terror, o que é algo que faz completo sentido para a história que ele está contando.
Eu confesso que ele demorou me pegar um pouco, no começo tudo era meio estranho e parecendo mal encaixado no jogo principal, mas eventualmente as coisas clicaram na minha cabeça, eu entendi as lógicas das mecânicas e a história me deixou investido daquele jeito em que só sossegamos quando chegamos no final. Assim como acontece em Outer Wilds, existem momentos de epifania nesse jogo que são mágicos, cada grande descoberta que você faz cria pontos e mais pontos de conexão na sua cabeça, fazendo com que aos poucos o quebra-cabeças vá se montando. É impressionante como os desenvolvedores da Mobius são habilidosos em montar esse tipo de narrativa e como eles conseguem trazer questões filosóficas tão profundas de uma maneira tão única.
No fim, Echoes of the Eye complementa Outer Wilds de maneira perfeita, sendo difícil não imaginar que ele sempre esteve nos planos dos desenvolvedores. Eu não sei se a Mobius irá fazer algum outro jogo nesse nível novamente, não faço ideia no que e se eles estão trabalhando em outra coisa, mas são pessoas que fizeram um dos melhores e mais únicos jogos já feitos, deixando uma obra completa que eu me sinto mais do que satisfeito em ter jogado e que eu espero que influencie outros desenvolvedores de jogos independentes no futuro.
Leia a nossa análise de Outer Wilds
Metroid Prime Remastered (Switch)

A série Metroid Prime foi responsável por boa parte dos meus jogos preferidos de Metroid, o que obviamente me coloca na expectativa para Metroid Prime 4: Beyond. Então nada melhor do que jogar mais uma vez o primeiro Metroid Prime, mas dessa vez nesse belíssimo remaster lançado para o Nintendo Switch.
Sim, essa é a terceira versão desse jogo que eu tenho, sendo a segunda em cópia física, mas essa é de longe a melhor forma de jogar esse jogo em tempos atuais. Os gráficos ficaram lindos, o sistema de controles foi totalmente reformulado para se assemelhar aos jogos de tiro modernos, ainda que mantenha emulações de outros controles da série, mesmo que infelizmente não muito precisas, além de algumas outras pequenas adições, como as narrações na introdução e final das versões japonesas e europeias do jogo original.
Metroid Prime foi um jogo muito impactante em seu lançamento original no GameCube, além do choque de trazer a série para um ambiente 3D e em primeira pessoa, ele também influenciou vários jogos de tiro modernos a como fazer uma boa exploração de ambiente sob essa perspectiva. Lembro de quando eu joguei Doom (2016) e via o tempo todo Metroid Prime no design das fases e modo de exploração. E ainda que o seu foco não esteja no tiroteio, em especial as batalhas contra os chefes do jogo sempre dão um bocado de dor de cabeça para os jogadores mais incautos.
Ainda que ele não seja o meu preferido da série, cargo ocupado por Metroid Prime 2: Echoes, é um jogo que eu gosto muito e é sempre ótimo revisitá-lo. É impressionante como a Retro Studios, que aliás não é creditada corretamente no final do jogo, soube pegar todo o clima de Super Metroid e trazer para essa sua versão 3D do mundo de Metroid, o que permanece intacto nessa versão. Fica aí agora a esperança de que eles tragam o segundo e o terceiro jogo da série com o mesmo tratamento, para que tenhamos a quadrilogia completa em consoles modernos.
Veja as nossas transmissões de Metroid Prime
Capcom Arcade 2nd Stadium: Pocket Fighter (Super Gem Fighter Mini Mix) (Switch)

Bom, eu fiz todo aquele discurso sobre jogos de luta ali em cima no Street Fighter 6, mas cá estou eu aqui novamente, sem nenhuma vergonha na cara, trazendo mais um jogo de luta, dessa vez em escala menor, com Pocket Fighter. Eu sei, é o nome japonês, mas foi como eu conheci esse jogo lá no PlayStation 1.
Aqui no caso a ideia era ter uma opção bem baratinha no Switch para aquela jogada rápida, e esses jogos do Capcom Arcade Stadium, que já são baratos, volta e meia estão em promoção por coisa de cinco reais. E pela natureza portátil do Switch, aqui o lance de partidas rápidas faz mais sentido ainda.
Para quem não conhece esse é um jogo clássico da Capcom em que vários de seus personagens de jogos de luta diversos, em especial Street Fighter, se apresentam em formato super deformado, com versões bem mais bobas e divertidas de suas personalidades. As batalhas tem mecânicas bem simplificadas de golpes e combos, e trazem as dinâmicas das gemas, pedras coloridas que vão se espalhando pelos cenários e que conforme coletadas aumentam a potência dos golpes.
Não é um jogo para quem procura um desafio em jogos de lutas de maneira mais robusta, mas é um excelente título para matar o tempo ou jogar despretensiosamente com amigos. Como ele tem mecânicas bem simplificadas, mesmo quem não é lá o maior exímio jogador vai ter alguma chance, ou pelo menos se divertir muito no processo com as animações exageradas e engraçadas dos lutadores.
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E finalmente chegamos ao fim de mais uma lista do que joguei ao longo do ano, ainda que um pouco atrasada mais uma vez, mas é o nosso lema de sempre de "publica quando der" ou "antes tarde do que nunca", sei lá, alguma coisa assim, rzs.
No mais um feliz 2025 para todes, que nosso ano seja mais tranquilo... não, sério, que seja mais tranquilo, porque por aqui já deu... que possamos ter tempo, saúde e disposição o suficiente para jogar os nossos jogos em paz. Beijos e abraços para vocês galera e até o ano que vem!!!
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Esta publicação faz parte do meme gamer "O que você jogou em 2024?", que foi organizado mais uma vez pelo nosso grande parceiro Marvox, segue a lista com os demais participantes desta edição:
- Arquivos do Woo - Diogo Batista (Site)
- Marvox Brasil (Parte 1) - Marvox (Instagram)
- Marvox Brasil (Parte 2) - Marvox (Instagram)
- Videogames com Cerveja - Felipe Barbosa (Site)