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O que eu joguei em 2025 - Tchulanguero

O ano em que eu joguei poucos jogos, porém por muito, muito, mas muito tempo.

autor Rafael "Tchulanguero" Paes   datahora Há 1 dia   tagarelices 0

O ano em que eu joguei poucos jogos, porém por muito, muito, mas muito tempo.


Como eu disse no texto de 18 anos do site, 2025 não foi muito gentil comigo. Aí vocês dão uma olhada na lista e pensam, "tem menos jogo dessa vez, com certeza foi por isso então", mas a resposta é não, eu não joguei menos, muito pelo contrário, até por conta do caos da minha vida, eu me afundei muito em videogames, em um escapismo completamente desprovido de culpa.

Relembre o que eu joguei em 2024

E o mistério do "menos é mais" não é nada muito fora da curva não, a real é que obviamente tiveram alguns períodos em que eu de fato não joguei tanto, mas quando joguei, eu joguei muito, tipo, o mesmo jogo. Entre os que estão na lista, provavelmente um pelo menos bateu umas 300 horas e outros ficaram ali na média das 100 tranquilamente. Comedimento é para os fracos, hwa hwa hwa... brincadeira, às vezes a gente só não tem tempo mesmo, tá tudo bem.

Então vamos enfim para a minha retrospectiva anual, com os jogos que eu joguei em 2025!



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Journey (PlayStation 4)

Imagem de uma figura humanóide coberta por roupas vermelhas para se proteger do calor do deserto. O ambiente é arenoso e composto por algumas ruinas antigas.

Pois é, se eu falar para vocês que até então eu nunca tinha jogado Journey, vocês acreditam? Ele estava parado no meu Play 4, depois de eu o ter pego de graça lá no meio da pandemia, antes mesmo de eu ter o videogame inclusive e finalmente eu venci a inércia parar tirá-lo da fila. Enfim, obviamente a essa altura do campeonato é muito difícil entrar no jogo de maneira pura, ou seja, sem saber das surpresas que ele traz, mas isso não tirou o brilho desse belíssimo jogo.

Para quem não conhece, Journey é sobre andar e de vez em quando flutuar pelo cenário. Como o nome sugere, o foco aqui é na jornada que fazemos com o nosso personagem, inicialmente em paisagens desérticas, mas eventualmente em cenários mais diversos, ora sozinho, ora acompanhado por outros personagens semelhantes ao nosso. As mecânicas são bem simples e raramente o jogo exige alguma habilidade muito elevada.

Apesar de não ter uma única linha de diálogo e depender muito das interpretações do jogador, a história dele é muito bonita em sua simplicidade, se utilizando muito bem do videogame enquanto mídia. Aliás, se tem um adjetivo que podemos dar a Journey constantemente é bonito. Os cenários são simples, mas muito bem trabalhados e há sequências tão maravilhosas que dão aquela emocionada gostosa, quando você admira algo simplesmente pelo quão bem feito é.

Por ser um jogo simples não há muito pelo que me estender aqui, mas se tem algo que eu posso dizer é que independente do quanto você saiba dele hoje em dia, Journey é um título que vale muito ainda ser jogado, te garanto que serão umas duas ou três horas muito agradáveis de videogame.

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Marvel vs. Capcom Fighting Collection: Arcade Classics (PlayStation 4)

Tela do jogo "Marvel Vs Street Fighter" com os personagens Ken e Ryu executando a sua finalização "Double Shinkuu Hadou-ken", onde ambos os personagens soltam uma grande energia azul pelas mãos

Eu sei, eu fiz toda aquela reflexão sobre jogos de luta no ano passado, ou antepassado, não me lembro bem, mas cá estou eu novamente falando de mais um jogo do gênero que eu comprei para jogar por um curto período de tempo e depois largar. A desculpa da vez é que foi difícil resistir a essa coletânea com os jogos Vs. da Capcom, já que foram jogos que fizeram parte da minha juventude, mas além da nostalgia, também são títulos excelentes que ainda valem muito a pena serem jogados... ou pelo menos a maioria.

Uma das coisas legais dessas coletâneas é poder ver a evolução dos jogos e como eles vão melhorando ao longo do tempo, ou piorando em alguns outros casos. Mas aqui vale o primeiro exemplo, o que começou meio estranho e truncado, eventualmente se tornou uma das séries mais legais do gênero.

Eu sei, X-men: Children of the Atom e Marvel Super Heroes em suas respectivas épocas eram jogos bem chamativos e diferentes do que havia no mercado, não só pelo uso de personagens icônicos dos quadrinhos, ainda que de uma época em que a Marvel estava em uma outra situação financeira, mas também pelas mecânicas diferentes que os jogos apresentavam. Mesmo quando você pensa em uma Street Fighter mais antiga ou Fatal Fury, em que os personagens tem ataques especiais, magias e tudo mais, ainda há um pezinho no chão ali ditando o ritmo da batalha. E o que esses dois jogos fazem, ainda que aos trancos e barrancos, é tentar trazer uma outra dinâmica, condizente com o poder dos personagens que estavam sendo trazidos ali para os fliperamas e consoles. Acho horrível de jogar? Acho, mas respeito demais pelo o que estavam fazendo.

Porém para mim a sequência é onde a coisa deslancha de vez e se transforma, inclusive, em um dos meus jogos de luta preferidos: X-men Vs. Street Fighter não é só um título excelente, como o percursor de todo um subgênero dos jogos de luta "tag team", em que você pode trocar de personagens durante o combate, mas também onde toda essas mecânicas que estavam sendo construídas chegam a sua verdadeira fruição. E dali para frente foi só aprimoramento em cima de aprimoramento, Marvel Vs. Street Fighter embora não tenha tantas inovações, amplia o leque de lutadores e faz alguns refinamentos, Marvel Vs. Capcom eleva ainda mais o nível da qualidade e começa a ensaiar um terceiro personagem através do sistema de "parceiros", que podem ser chamados para ajudar pontualmente no meio da luta, culminando em Marvel Vs. Capcom 2, que é uma loucura deliciosa, completamente desbalanceada, é verdade, em que você joga com três personagens... TRÊS!!!

É um trecho da história dos jogos de luta que, como eu já disse, gosto bastante e que fizeram muito parte da minha história, de uma Capcom que trazia muitas de suas máquinas para o Brasil, inclusive com versões traduzidas já naquela época e que eu acho que ainda funcionam muito bem hoje em dia... ah, sim, e tem o jogo do Justiceiro, mas ele só tá ali né, então deixa para uma próxima, rzs.

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Capcom Arcade 2nd Stadium: Street Fighter Alpha 3 (Switch)

Tela do jogo de uma luta entre Sagat e Rolento, em um cenário de estação de metrô. Ambos os personagens estão abaixados e parados.

EU SEI, EU SEI, JOGOS DE LUTA, BLÁ, BLÁ, BLÁ... mas era a Street Alpha 3 por cinco conto no Switch, para poder jogar em qualquer lugar, não deu para resistir né, rzs. Além do mais, eu não falei ali em cima, mas a real é que eu já queria um jogo do tipo para deixar no portátil, inicialmente a minha ideia era pegar a coletânea do Marvel Vs. Capcom, mas os preços me fizeram mudar os planos da plataforma, então esse veio a calhar para cumprir o papel.

Lá atrás nos meus tempos de fliperama, a Alpha 2 era a minha preferida da série e de certa forma ainda é, mas Alpha 3 reinava na casa de amigos com a ótima versão do Play 1, embora eu eventualmente jogasse nos fliperamas também. E rejogando agora, fica claro o motivo do jogo ter feito tanto sucesso na época, ele é divertido, muito divertido. Ainda que essa seja a versão base, existem muitos personagens para se escolher e mecanicamente é quase um X-men Vs. Street Fighter, porém sem os saltos gigantes... e sem os X-men... mas enfim, o sentimento está lá.

Os controles são ótimos como sempre, a sensação de cada golpe encaixando no combo é perfeita e não por menos é um dos símbolos do ápice da Capcom em sua era de ouro dos jogos de luta 2D. Talvez a única coisa que eu não seja tão fã, mais por gosto mesmo, é o esquema das barras de especial, em que você tem que escolher o seu estilo. Talvez por isso eu tenho uma preferência pela Alpha 2, onde os estilos eram mesclados em uma única barra, mas nada demais também, até dá uma profundidade interessante para o combate.

Por estar em um console mais portátil, esse foi o jogo que mais chegou perto daquela minha ideia de jogar partidas curtas esporadicamente em períodos em que eu estou mais sem tempo. Funcionou por uma época, mas aí outras coisas atropelaram o caminho e depois confesso que larguei ele um pouco, mas tá lá, só esperando para mais uma partidinha rápida.

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Red Dead Redemption II (PlayStation 4)

Cena do jogo onde dois personagens, um homem e uma mulher, ambos vestidos com roupas de cowboy, conversam ao ar livre sobre uma carruagem.

Eu nunca fui lá muito fã dos jogos da Rockstar, nem mesmo do tão famoso GTA, que não me pegava muito, ainda que no geral eu adore jogos de mundo aberto, mesmo aqueles de qualidade duvidosa. O estúdio também não é o mais adorável de todos, com problemas de lideranças tóxicas e funcionários sendo obrigados a fazer muitas horas extras para cumprir prazos absurdos, o famoso "crunch". Mais ainda, eu não sou nenhum grande fã da "versão faroeste de GTA", Red Dead Redemption, ainda que eu não chegue nem perto do nível de desgosto que a Angela tem para com o jogo. Mas sei lá, Red Dead Redemption 2 foi um fenômeno tão grande em sua época de lançamento, seguido de tantos elogios, que a curiosidade bateu, a promoção apareceu e eu resolvi experimentar e ver se esse jogo feito com tanto suor e lágrimas de trabalhadores realmente era isso tudo.

A introdução dele foi um misto de sentimentos. Se por um lado ele apresenta logo de cara uma narrativa interessante, personagens marcantes, diálogos bem escritos e cenários bonitos, por outro a minha briga com os controles foi constante. Primeiro por um bug que impedia eu de fazer corretamente alguns tutoriais iniciais, coisa que só foi resolvida quando eu troquei o controle depois de achar isso como solução em algum fórum da vida. E não, o meu controle não estava com problema, pelo menos não em qualquer outro jogo que eu tenha jogado no meu Play 4. Mas a outra parte da briga foi com os controles do jogo em si, algo que permaneceu durante todo o meu tempo com ele, o layout de botões é estranho, as mecânicas são ruins, sendo sempre tudo muito confuso. Existe um botão contextual em que você pode focar em pessoas, animais e objetos, que é uma ideia muito legal, mas que comete o erro de ser literalmente o mesmo botão de mirar e sacar a arma, então nem preciso dizer quantas vezes eu fui tentar interagir com alguém e sem querer saquei minha pistola, ameacei um cidadão, a polícia veio atrás de mim e aí todo uma confusão se instaurou. Ou quando descia do meu cavalo para uma missão, ia mais para frente equipar a minha espingarda para descobrir que ela tinha ficado lá na sela do bicho, porque o personagem a guardou sozinho e eu esqueci de conferir. Ou pior, quando o meu cavalo bateu com toda a força em uma árvore, porque o puto não é capaz de desviar de nada sozinho e eu estava ocupado tentando mirar em algum outro bandido no meu caminho. Enfim, eu poderia escrever um texto imenso sobre todos os problemas mecânicos que eu tive com esse jogo, mas vou me ater a dizer que jogar, no sentido literal, Red Dead Redemption 2, na maior parte do tempo não foi muito divertido.

E a essa altura vocês devem estar pensando que eu odiei o jogo, mas a grande verdade é que apesar de todos os pesares que ele carrega, seja em seu desenvolvimento, seja em toda a sua parte mecânica, Red Dead 2 foi um dos melhores jogos que eu já joguei. Um de seus grandes trunfos é como ele constrói um mundo bem feito, em seus mínimos detalhes, em um nível até mesmo desnecessário. Porque sim, tecnicamente é impressionante, desde você pegar a sua arma e poder observar cada mínimo detalhe dela, ou entrar em uma mercearia, pedir o catálogo de itens e folhear página por página sobre o que comprar, além de vários tantos outros aspectos, que chega em um nível que você pensa que, legal, mas não faria diferença nenhuma também se não tivesse. Você entende que tudo aquilo só foi possível com muito sacrifício humano e de tempo, que tecnicamente é impressionante, mas que no final das contas não vale, ainda que o deslumbramento que ele cause seja inegável.

Isso tudo leva ele a ser um jogo não só muito bonito, mas também com uma ambientação impecável. Se passando em uma versão própria dos Estados Unidos no finzinho do século XIX, marcando o fim da época em que nós associamos as histórias do velho oeste estadunidense, cada vila ou cidade é construída de forma única, parecendo viva, com sua própria rotina, independente do que o jogador faça. Claro que o fator videogame está lá e certas coisas vão existir para atender a ele, mas é tudo sempre muito bem integrado e bem feito. Andar pelo mundo de Red Dead Redemption 2 por si só já é algo extremamente interessante.

Mas a grande coisa desse jogo mesmo, a que me pegou realmente e me fez de fato colocá-lo no topo da minha lista é a sua história e personagens. Se passando antes dos acontecimentos do título anterior, dessa vez deixamos de acompanhar John Marston, que está no jogo, mas como um personagem secundário, e acompanhamos Arthur Morgan, o braço direito de Dutch, o líder de um famoso grupo de bandidos que está fugindo das autoridades, recentemente por conta de uma grande confusão em um navio durante um golpe que deu errado. E não somente Arthur é um personagem excelente, com uma clara evolução ao longo do jogo, com também possuí várias nuances e muito carisma, assim como toda a sua dinâmica com o bando, que alguns ousariam dizer até mesmo família, sendo o grande destaque.

Como um jogo de mundo aberto, a ideia ainda é a de cumprir missões pelo mapa, sejam as principais, focadas em fazer com que o bando consiga aplicar o seu próximo grande golpe que os irá deixar ricos o suficiente para que possam abandonar a vida do crime, sejam pelas diversas missões secundarias que irão passar por momentos dramáticos, pessoais e até mesmo fantásticos. É uma variedade de atividades que se tem para fazer que torna esse mundo praticamente infinito, com direito a caça, pesca, corridas de cavalos e muitas outras coisas mais, embora eu confesse que não tenha me empolgado com necessariamente todas. Mas no final, toda a dinâmica do jogo passa por você voltar ao acampamento do seu bando para descansar e repor as energias, e é lá que a magia acontece. Uma das coisas mais legais é você poder conversar com os seus companheiros, festejar, jogar algum jogo, além de diversas outras atividades e com tudo isso ir conhecendo cada um deles um pouco melhor, com suas histórias de vida, medos e anseios, além do próprio Arthur eventualmente se abrir com alguns deles e contar a sua própria história. E como um jogo muito focado em narrativa, eu acho muito bem vindo ele funcionar dessa maneira dinâmica, sem se esquecer que é um videogame, muitas vezes até mesmo reagindo a maneira como você se comporta diante do mundo.

De maneira completamente inesperada, Read Dead Redemption 2 me cativou e emocionou de tal maneira, com eu me afeiçoando tanto aquele mundo e personagens, que até mesmo o anúncio de GTA VI me deixou curioso, não por eu gostar da série, mas por querer ver o que é narrativamente uma Rockstar pós RDR2, dessa vez, espero, tratando melhor os seus funcionários.

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Red Dead Redemption (Xbox One)

Close no rosto do personagem John Marston, ao ar livre no final do dia. Ele usa um chapé de cowboy, tem uma cicatriz no rosto e barba por fazer. Ao fundo uma vegetação rasteira e seca compõe o cenário.

Eu disse que não era muito fã do primeiro Red Dead Redemption, mas me pareceu a coisa mais lógica a se fazer depois de terminar o segundo jogo, visto que em termos de história essa é a sequencia direta e eu já estava muito envolvido com toda a trama. Também me bateu a curiosidade de tentar entender o que exatamente me incomodou nele da primeira vez que joguei, algo que eu não tinha muito certo na minha cabeça.

Para começo de conversa, uma das primeiras coisas que eu percebi é que em termos mecânicos, para o bem e para o mal, tudo já estava ali desde o começo. O grupo de ações que você executa ao longo do jogo não é muito diferente e todos os problemas com os controles também já existiam. A diferença é que aqui eles incomodam menos, porque esse é um jogo muito mais simples, então as coisas tendem a serem menos exigentes e não entrarem tanto na frente. Isso posto, continua sendo um jogo meio ruim de se jogar.

Algo que eu lembrava, era que John Marston é um personagem que não me cativava em nada. Não por menos em RDR2 ele é meio que um pé no saco também, mas lá eu acho que ele é melhor trabalhado, enquanto aqui ainda que como protagonista, eu sinto que o seu desenvolvimento é quase que uma linha reta, sem muitas nuances. Ele é um bandido aposentado, que forçadamente trabalha para o governo para capturar antigos membros do seu bando em troca da segurança de sua família, em um mundo em que figuras como ele pertencem cada vez mais ao passado, e o problema que eu sinto que o peso disso acaba ficando concentrado em trechos muito específicos da narrativa. Na maior parte do tempo, John é só um cara turrão, eventualmente bom samaritano, matando uma galera no meio do caminho para cumprir os seus objetivos. Mas isso por si só não é suficiente para eu não gostar de uma história, havia algo mais e finalmente me caiu a ficha.

Red Dead Redemption tem uma tendência muito grande ao cinismo em seu texto, daquele que diz que tudo no mundo é uma merda e que você não pode confiar em ninguém, algo infelizmente inclusive muito difundido pelas internets afora. Isso fica muito claro em um trecho do jogo em que você se vê envolvido em um conflito entre um governo ditatorial e um grupo de revolucionários opositores, mas fazendo questão de pintar ambos como extremamente problemáticos enquanto pessoas, quase como que em um discurso de "teoria da ferradura", de que direita e esquerda no final das contas são todas farinhas do mesmo saco, ou algo assim. E aí tudo fez sentido, porque toda a construção de mundo do jogo segue mais ou menos nessa linha, esse cinismo disfarçado de tragédia, uma visão tacanha de tudo. E eu sei que muitos vão defender isso, dizendo que assim é que as coisas eram naquela época, mas a própria sequencia prova que tal aspecto pode ser mostrado de uma forma muito melhor escrita, ensinando que as coisas são compostas por nuances muito menos simplistas do que dizer que "tudo é uma merda e por isso nada presta".

No entanto o jogo tem os seus momentos e tendo jogado ele na sequencia, levando em consideração certas coisas que aconteceram antes, ainda que você perceba que tiveram algumas adaptações na história do segundo jogo, dá uma perspectiva diferente que torna tudo um pouco mais palatável para mim. Ainda sim, muito longe de figurar na minha lista de preferidos.

Leia a nossa análise de Red Dead Redemption

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Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition (Switch)

Close no rosto de uma personagem personalizada do jogo. Ela possui cabelos vermelhos com mechas brancas, presos com um penteado trançado, usa uma espécie de armadura e carrega uma grande arma nas costas.

Outra grande epopeia jogada em 2025 foi a tão esperada edição definitiva de Xenoblade Chronicles X, um dos meus jogos preferidos do Wii U e que agora conta com uma edição completamente revisada para o Switch, incluindo extras de história.

A primeira coisa a se dizer para quem não conhece a série Xenoblade, é que se os títulos numerados são fracamente interligados, sendo o X uma história ainda mais a parte. Resumidamente, ele se passa em uma versão do nosso mundo, em que um conflito entre duas raças alienígenas acabou destruindo a Terra e uma grande nave fugitiva cai em um planeta semelhante ao nosso e que forçadamente se torna o lar desse grupo de refugiados. É um JRPG com um clima de ficção científica, que em certa medida me lembra o mundo da série Mass Effect. Para tudo há uma explicação da ciência, ainda que não seja uma ciência real e sim a daquele mundo, mas dentro do aceitável com alguma suspensão de descrença. Tudo o que eu escrevi na minha análise lá de 2016 continua valendo, o que se resume a, não é um jogo perfeito, mas eu adoro o que ele tentou fazer, sem contar que foi um proto Breath of the Wild no quesito de exploração, com a diferença de que aqui você pode voar por toda o mapa com uns mechas maneiríssimos, ao menos depois de algum tempo de jogo.

E essa edição não se trata só de melhorias técnicas e de deixar um dos jogos mais bonitos do Wii U ainda mais bonitos do que já era, ele também acrescenta algumas coisas de história, além de personagens extras, com diversas melhorias mecânicas e novos balanceamentos. Por exemplo, alguns sistemas de evolução de personagem foram completamente removidos, deixando tudo mais direto ao ponto, embora isso não necessariamente deixe o jogo mais curto, mas talvez mais dinâmico. A interface também foi toda reformulada e embora ainda siga não sendo perfeita, está de fato melhor organizada. Novos membros para o seu grupo foram acrescentados ao já inflado grupo do jogo original e embora não sejam personagens muito bem integradas a trama principal, eu gostei das adições de Neilnail e Liesel, além de uma bem vinda correção de uma grande injustiça feita a um personagem do jogo original, que eu não comentarei para não estragar a surpresa de quem ainda não jogou.

Mas apesar de tudo, essas coisas por si só não trazem um grande diferencial para o jogo, são melhorias técnicas salpicadas com alguns personagens e missões extras, mas com o jogo sendo exatamente o mesmo. E para quem não sabe, o título original termina com um grande gancho para uma continuação, que nunca se realizou... até agora. Sendo o jogo dividido em 12 capítulos, a edição definitiva trouxe a adição de um 13º dividido em três atos, o que é praticamente como se fossem três novos capítulos inteiros comparando com os do jogo original.

Esse capítulo não só traz mais um novo personagem para a sua equipe, exclusivo dessa edição, como também finalmente um desfecho para a história, ou pelo menos quase isso, quem está acostumado com Xenoblade sabe que sempre ficam pontas soltas em suas narrativas. E sem entrar em muitos detalhes, eu pessoalmente gostei bastante do que fizeram nesse capítulo extra, embora ele claramente seja um enorme condensado do que seria uma provável continuação do título, que por algum motivo nunca aconteceu, eu achei a forma como essa nova história é contada muito boa, marcando bem os temas pertinentes a narrativa extra. Eu vi muita gente descontente com a forma com as novas missões são conduzidas, parecendo muitas vezes uma mera missão secundária ao invés de algo puramente épico, mas prestando atenção você percebe a história que está sendo contada ali. Claro que todo um novo jogo teria muito mais espaço para desenvolver essas ideias, sem depender de uma abstração do jogador, mas dadas as possibilidades, eu achei válido, além do que é preferível isso do que ficar o resto da vida sem saber como as coisas terminam.

E para ser justo, a sequencia final é sim bem emocionante e grandiosa, os desenvolvedores souberam muito bem dosar uma reverência a toda a obra original, enquanto nos entregou uma tonelada de novas explicações e trechos de ação bem legais. Ainda que no final das contas o novo encerramento dê margem para continuações e gere dezenas de interrogações sobre nossas cabeças, ao menos dessa vez há um final de fato com o qual se despedir, mesmo que talvez apenas por um tempo, desse mundo tão fascinante que é o de Xenoblade X.

Leia a nossa análise de Xenoblade Chronicles X

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Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 (Xbox One)

Cena do jogo em um skatista andando dentre de um grande armazém que abriga uma pista de skate, com divesos graffitis espalhados.

Tony Hawk’s Pro Skater é uma das minhas séries de jogo preferidas, que fez parte da minha juventude nas mais diversas plataformas, e apesar de eu ter demorado um pouco, foi bem legal voltar aos dois primeiros jogos através dessa nova versão.

Não há muito o que dizer aqui, embora tenham sido feitos esforços bem vindos para dar um pouco mais de dinâmica ao jogo, ele ainda continua no clima de jogos de fliperama, com sessões de dois minutos onde você guia o seu skatista por um cenário aberto fazendo o maior número de pontos possíveis com suas manobras e ao mesmo tempo cumprindo os objetivos mais aleatórios possíveis. E essa nova versão faz muito bem em manter todo o clima dos jogos originais, com tudo o mais intacto possível, mas sem perder a chance de incluir mecânicas da série que só foram introduzidas mais tarde, mas que ainda sim são muito bem vindas aqui.

Graficamente ele está bonito e a trilha sonora está fantástica como sempre, ainda que com algumas alterações em relação ao obra original. Grande destaque para a música "Confisco" da banda Charlie Brown Jr., inserida após os brasileiros terem enchido o saco do pessoal do estúdio para colocar, ainda que tenham bizarramente retirado a palavra "orgia" da letra dela, vai entender.

O único porém é que dada essa natureza mais simples do jogo, ele acabou caindo no mesmo limbo que os jogos de luta, em que eu jogo por um tempo, gosto, mas acabo não encontrando muito espaço para jogar com grande frequência. Até mesmo por isso, eu ainda nem fui atrás de Tony Hawk’s Pro Skater 3+4, embora também sejam dois jogos que eu gosto bastante dos originais. Enfim, um dia vai, rzs.

Leia a nossa análise de Tony Hawk’s Pro Skater 1
Leia a nossa análise de Tony Hawk’s Pro Skater 2

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Kentucky Route Zero: TV Edition (Xbox One)

Cena vista de longe de uma posto de gasolina de beira de estrada, com um grande letreiro neon escrito "Equus Oils" e uma enorme cabeça de cavalo decorativa.

Eu não quero parecer estar romantizando as coisas e nem repetindo um bordão qualquer de gente que quer parecer descolada, mas quando eu penso nas melhores histórias que os videogames podem oferecer, normalmente eu penso em jogos independentes e Kentucky Route Zero corrobora esse meu pensamento.

Para quem não conhece, esse jogo foi desenvolvido por uma grupo de artistas que não eram da área de jogos e que demorou sete anos para ter todos os seus capítulos lançados, hoje felizmente todos disponíveis através da versão TV Edition. No jogo nós começamos acompanhando a história de Conway, um motorista de caminhão que precisa fazer uma entrega em um endereço que ele não sabe onde fica, parando para pedir orientações em um posto de gasolina conhecido. E o que parece ser algo simples, acaba se tornando uma grande jornada idílica e de autoconhecimento.

Uma coisa a se dizer sobre Kentuchy Route Zero é que ele quase não é um jogo. Ainda que no começo ele possua algumas mecânicas simples, ao longo do tempo você percebe que os desenvolvedores dão cada vez menos importância para isso em prol de sua narrativa e diálogos. Mas claro, por mais simples que seja, ainda existe a interação do jogador a todo momento, nem que seja andar e conversar com os personagens ao longo de todo o caminho, cada um mais memorável que o outro.

E como todo jogo desse tipo, é muito difícil descrevê-lo ou até mesmo dizer porque ele é especial, porque tudo nele gira em torno da história e não faz muito sentido eu simplesmente ficar descrevendo as coisas que acontecem aqui para vocês. O que eu posso dizer é que o texto dele é memorável, contando hoje em dia com uma tradução oficial para o português, com diálogos e personagens muito bem construídos, em um mundo mágico com toques de cultura folk estadunidense, muito interessante e bem distante da patriotada as quais somos expostos em outros jogos que abordam o país em questão. É um título que claramente se coloca como crítico a diversas coisas em nossa sociedade, mas contando tudo isso de forma única, oferecendo momentos tão maravilhosos e emocionantes, que é impossível não guardá-los carinhosamente na memória.

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Asura’s Wrath (Xbox 360 ~ Xbox One)

Close no rosto do personagem Asura, que possuí cabelos brancos, diversas marcas pelo rosto e feições sérias. Ao fundo, o céu do espaço e algumas naves.

Saindo do jogo arte e indo para o que de longe foi o jogo mais anime que eu joguei no ano passado, temos Asura’s Wrath, um título lá de trás do PlayStation 3 e Xbox 360, que felizmente ainda está disponível na plataforma da Microsoft através da retrocompatibilidade.

Eu lembro que na época em que ele saiu muitos comparavam o personagem Asura ao Kratos de God of War, que eu entendo a intenção, uma vez que de fato ele é um personagem que está muito puto com a vida o tempo inteiro, mas ao contrário do God of War clássico, em que Kratos era somente um avatar de um tipo específico de masculinidade completamente estúpida, Asura mesmo na simplicidade do seu roteiro me parece muito mais aceitável enquanto personagem.

E não me entendam mal, Asura’s Wrath está muito longe de ter uma história incrível, com uma milhão de nuances, ele é um jogo de ação e porrada, mesclando elementos e conceitos diversos de povos asiáticos, com essa pegada anime onde as coisas vão escalando da maneira mais exagerada e divertida possível, onde quando você acha que chegou no ápice, ele vai lá e dobra a aposta. É uma história super simples de um ser poderoso que pode ser considerado um deus, se rebelando contra seres mais poderosos ainda, em busca de salvar a sua família e... ah sim, é por isso também que o pessoal compara ele com God of War, rzs.

Mas é engraçado que apesar da premissa, enquanto jogo ele nem é muito bom, as mecânicas são esquisitas, tem "quick time event" o tempo inteiro e o ritmo é completamente quebrado pela sucessão de cenas de história no meio das batalhas, mas uma vez que você entra no clima do jogo é tudo tão exageradamente divertido, que eu pessoalmente acabei gostando muito dele. É um desses jogos malucos que eventualmente acabam surgindo no meio do caminho e que por algum motivo dão certo, mesmo não parecendo uma ideia muito boa.

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The Last of Us Remasterizado (PlayStation 4)

A personagem Tess, mulher branca, olhar triste, lenço na cabeça, em um cenário interno.

Não vou mentir, The Last of Us nunca foi um jogo que me inspirava muita vontade de conhecer, já que história de zumbi com essa pegada cinematográfica definitivamente não é o que me atraí. Mas eu e a Letícia assistimos a primeira temporada da série que adapta a história na HBO, gostamos e eu achei que independente de qualquer coisa, era hora de eu jogar com ela ao lado, ao menos para conhecer o jogo, até porque hoje em dia a versão física é relativamente barata.

Bom, definitivamente esse é um jogo que você vai pela história, porque mecanicamente ele é no máximo ok. Embora tenham momentos em que eu passei muita raiva e ficava puto com o quanto os inimigos eram meio desnecessariamente resistentes enquanto Joel era mole que nem maria-mole, afinal "foi só um tiro cara, não precisa ficar no chão por meia hora", ou questionei seriamente algumas decisões dos desenvolvedores em trechos específicos, no geral as coisas meio que funcionam, até porque ele não tenta fazer muita coisa, é um jogo de tiro em terceira pessoa bem segmentado e linear, com algumas partes que envolvem furtividade bem simples. Talvez poderia ter menos combate? Poderia, mas né, fazer o que, rzs.

Sobre a história ela é de fato muito boa, ainda que distante das minhas preferidas em videogames, Joel e Ellie são personagens muito interessantes e com profundidade o suficiente para que eu ficasse investido com o que vinha a seguir, com diálogos bem escritos e atuações excelentes, mesmo na dublagem em português, sendo os pontos altos do jogo. Só que, embora não esteja no centro das coisas, me incomoda um pouco a visão de mundo um pouco cínica que o jogo tem, parecido com o que eu senti em Red Dead Redemption, porém em uma escala menor, essa coisa de que quando o mundo dá merda é cada um por si como única opção me quebra um pouco.

Outro ponto da história que eu não gosto é como muitas vezes ela é contada. Como eu disse antes, jogos que utilizam a linguagem de cinema de uma forma muito literal não me pegam. Porque o que eu mais amo em boas histórias de videogame é em como a agência do jogador faz a diferença em como elas são contadas, mesmo que muitas vezes de forma mecanicamente simples. Andar de um ponto ao outro, entregar um item a um personagem, ter uma conversa aleatória com um companheiro, são coisas únicas que só são possíveis em videogames. E não é que The Last of Us seja completamente desprovido disso, muito pelo contrário, ele tem bons momentos como jogo, eu adoro o lance de você encontrar cartas de outras pessoas aleatórias contando trechos de suas vidas, por exemplo, mas o grosso de sua trama principal está muito concentrado em cenas puramente narrativas e mesmo algumas dessas boas partes como videogame que eu comentei antes, acontecem de maneira tão dirigida e específica, que não me parecem extrair o máximo potencial que esse jogo poderia ter. Apesar das diferenças, eu sinto que ver a série ou jogar o jogo não vão mudar muito a percepção que você possa ter sobre esse mundo.

Como produção, é inegável a qualidade que o jogo possuí, desde os seus cenários belíssimos, que constroem um mundo tão desgraçadamente fodido de um modo tão contemplativo, passando pela trilha sonora incidental perfeita, até as animações na expressão dos personagens, minuciosamente detalhadas de modo a conseguir passar toda a carga dramática que o título requer. Não é o meu jogo preferido da vida como é para muitos, mas é inegável o seu valor apesar de seus pesares.

Leia a nossa análise de The Last of Us

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The Last of Us: Parte II (PlayStation 4)

A personagem Ellie em um trecho de um bairro abandonado, com alguns carros largados e vegetação tomando conta das construções.

Ah sim, eu comecei, agora eu termino né, rzs. Da segunda parte de The Last of Us eu não vou me alongar muito, porque esse aqui eu ainda estou jogando no momento em que escrevo esse texto. Sim, nós já assistimos a segunda temporada da série e eu meio que já sei de boa parte do que acontece, apesar de que minha memória, ou melhor, falta de, aqui me ajude a esquecer de muita coisa.

De modo geral essa sequencia pega tudo que eu gosto e não gosto no primeiro jogo, e maximiza. É um jogo lindo, com uma boa história, bons personagens, ainda que eu não consiga me afeiçoar muito a maioria deles, diálogos bem escritos, mecanicamente ele é melhor, ainda que continue com umas decisões que parecem estar ali só para me fazer passar raiva, mas segue parecendo ter medo de se afirmar como um jogo de videogame de maneira mais plena fora dos combates.

Eu já estou na segunda parte dele e confesso que não está sendo o meu ponto alto com a história, mas tem os seus momentos. Aliás, falando de história, achei curioso como em comparação com a série, algumas pequenas mudanças entre as duas narrativas alteram bastante a perspectiva que temos de alguns personagens.

Enfim, esse aqui ano que vem eu volto para falar mais, mas acredito que eu vou continuar com uma opinião geral muito parecida com a atual. Eu ainda estou esperando a história alcançar o seu ápice, mas sinceramente eu acho que aproveitaria ele melhor se conseguisse fazer as pazes com alguns pontos de suas mecânicas.

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Hollow Knight (Switch)

O personagem Knight, um pequeno inseto vestindo uma capa e portando uma espada, sentado em um banquinho de praça ao lado de um outro inseto, aparentemente mais velho. O cenário é escuro e fracamente iluminado por um poste de luz baixo.

Eu gosto muito de Metroid né, essa série tão clássica e que infelizmente parece ser tão odiada pela sua própria criadora, mas é dela que felizmente nasceu todo um gênero de jogos de exploração, com um expoente que há anos eu ouvia falar, mas até então nunca jogado. Hollow Knight estava lá na minha prateleira de jogos e na iminência de sua continuação ser lançada eu pensei, "porque não agora?". E sabe aquele sentimento de "porque eu demorei tanto para jogar isso?", pois é, ele bateu forte.

Hollow Knight não somente é um jogo de exploração 2D excelente, com um level design que conecta tão bem os seus mapas e caminhos, como também extremamente bem feito em seus menores detalhes. A forma como ele conta sua história, muitas vezes de maneiras sutis e soltas em pequenos fragmentos espalhados pelo mundo, a direção de arte, as músicas, uma melhor do que a outra, suas mecânicas, tudo é tão bom e feito com tanto carinho, que não tem como não entender como esse jogo se tornou o fenômeno que se tornou. É meio estranho, porque não existe muito sobre o que falar dessa base dele, porque no final das contas ele não é um jogo muito complexo, mas é isso, ele é bom, tipo, muito bom mesmo no que ele se propõe e isso é muito mais do que nós temos em tantos outros títulos, não raramente de maior orçamento.

E sim, como sua fama diz, ele é um jogo desafiador muitas das vezes, seja em suas batalhas ou desafios de plataforma, algumas de uma maneira até mesmo desnecessária, mas a filosofia do estúdio, de que nem todo jogador precisa ver 100% de um jogo é algo que gostando ou não eu tendo a respeitar. Mas talvez o único ponto dele que eu acho um pouco mais fraco e acabe interferindo nessa questão é o seu sistema de combate. Quer dizer, ele é desafiador, tem umas pitadas da série Souls e te dá um monte de habilidades interessantes para explorar, mas no geral eu não acho que ele tenha sustança o suficiente, é tudo meio lento e truncado, o que em algumas batalhas acaba sendo um problema. Ainda sim, existem chefes que estão entre os meus momentos preferidos do jogo, mesmo que a apresentação deles faça boa parte do trabalho de empolgação.

Definitivamente Hollow Knight é merecedor da sua fama e influência nos videogames pelos últimos nove anos e eu só larguei ele quando algo começou a bater a minha porta...

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Hollow Knight: Silksong (Xbox One)

A personagem Hornet, uma aracnídea de forma humanóide e esguia, vestindo uma túnica vermelha e portando uma agulha como espada, em um cenário verde, porém interno.

Sabe, Hollow Knight foi muito bom, mesmo anos atrasado para mim foi uma baita novidade, mas o que dizer de Hollow Knight: Silksong, esse jogo que já chegou espetando o meu coração com uma grande agulha e mesmo assim eu adoro?

É impressionante como o pessoal da Team Cherry conseguiu evoluir a sua própria fórmula, tão idolatrada e replicada nos últimos anos, para algo assim tão familiar para quem jogou o jogo anterior, ao mesmo tempo que completamente fresco e ainda melhor. Infelizmente muito se perdeu tempo em discussões acerca de sua dificuldade durante a janela de lançamento, mas a verdade é que esse jogo oferece tanto a mais para os jogadores, que chega a ser triste que para muitos ele tenha ficado marcado por isso.

Tirando a aranha da sala, sim, Silksong é um jogo bem difícil e eu entendo que muitos se frustrem por não conseguirem desfrutar do grande jogo do momento do qual todos estão falando, mas lembrem-se da filosofia do estúdio de quem nem todo jogador precisa ver o jogo por inteiro e ela segue firme aqui. Porém para ser muito justo, eu acho Silksong um jogo muito mais equilibrado que o primeiro Hollow Knight, com uma curva de dificuldade que sim, se mantém alta na maior parte do tempo, porém com picos muito menos íngremes do que em seu antecessor, que muitos parecem ter esquecido ou simplesmente não jogaram mesmo, por estarem em conteúdos opcionais. Além do mais, mecanicamente esse jogo evoluiu de uma maneira absurda, enquanto o primeiro era meio lento e truncado, aqui as coisas são bem mais rápidas, dinâmicas, responsivas e com ferramentas o suficiente para que qualquer dificuldade possa ser superada, desde que você se dedique a domina-las. Isso fica muito claro nas batalhas contra chefes, agora muito mais marcantes, simplesmente porque é gostoso de jogar, mesmo quando a sua cara é esfregada no chão. É uma filosofia de jogo super válida, da qual eu obviamente gosto, mas que não agrada a todo mundo e tá tudo bem. É claro que ele não é perfeito e tem os seus defeitinhos aqui ou acolá, mas o que não dá é para reclamar do jogo pelo o que ele se propõe a ser, ainda mais quando tão bem claramente conduzido.

Dessa vez jogar com a Hornet, personagem do primeiro jogo e agora protagonista, também muda muito a dinâmica das coisas. Enquanto o Knight no primeiro jogo era literalmente silencioso e reservado, aqui a aranha ninja não só conversa diretamente com os outros personagens, como se expõe muito mais e é dona de uma personalidade marcante. Você chega ao final do jogo e é claro quais são os seus objetivos, seus medos, anseios, códigos pessoais, além da vasta gama de interações super interessantes que ela terá com outros personagens pelo caminho.

Na parte artística esse jogo é uma sacanagem de tão bom, não somente pela questão técnica, mas pela composição de tudo, com cenários agora tão mais vivos e complexos, com níveis de detalhes tão grandes, embalados por uma trilha sonora absurda de boa e extremamente envolvente. E assim como Hollow Knight, cada coisinha ali está te contando um pouco mais da história daquele mundo, para muito além dos diálogos e cenas. O design do mapa agora é um pouco mais guiado, ao menos no começo, mas ele faz umas conexões tão malucas e inesperadas depois, que eu fico de boa de abrir um pouco a mão de algo completamente solto.

No geral é um jogo que engrandece tanto o que já tinha de bom no primeiro que não é de se admirar que levou quase dez anos para ficar pronto. Como eu disse antes, ele não é somente a ideia de pegar o que havia antes e tornar maior e melhor, mas de aprimorar-se ao mesmo tempo que experimenta coisas diferentes no meio do caminho, o que as vezes fica melhor, outras nem tanto, mas tendo o seu próprio charme. Esse nível de diferenciação é tamanho, que eu compreendo perfeitamente pessoas que gostem mais de seu antecessor do que ele, mesmo reconhecendo as suas melhorias. Aguardando ansioso pela DLC Sea of Sorrow para ter uma desculpa para voltar ao jogo.

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Doom Eternal + The Ancient Gods - Partes 1 e 2 (Windows ~ Xbox)

Visão em primeira pessoa, em um cenário interno e tecnológico com alguns demônios espreitando, o personagem porta uma espingarda de cano serrado.

Depois de muito tempo após ter jogado o Doom de 2016, foi a hora de finalmente colocar as mãos em Doom Eternal, até porque o Dark Ages já foi lançado, o que significa que eu estou muito atrasado com a nova trilogia. Mas para quem se lembra, eu cheguei a experimentar ele um pouco em uma transmissão que fiz uns anos atrás, mas além do ambiente de transmissão ser péssimo para jogar algo direito, eu lembro que daquela vez tinha tanto lag que tudo ficou mais difícil ainda.

Mas dessa vez não é como se as coisas tivessem ficado muito mais fáceis, Doom Eternal de fato deixa a régua da dificuldade bem elevada. E não somente isso, ainda é um jogo sobre se movimentar o tempo inteiro, sob a pena de morrer rapidamente se ficar parado, mas a forma como eles mexeram nas mecânicas deixaram as coisas mais burocráticas. Agora o tempo inteiro é preciso trocar de arma, porque cada demônio exige um jeito específico de ser morto e embora isso pareça interessante por forçar o jogador a experimentar uma variedade maior de seus equipamentos, acaba tirando muito da expressão de como cada um joga, algo que eu admirava bastante no jogo anterior. Para cada dificuldade encontrada, há uma resposta específica e ir contra isso pode deixar tudo muito pior do que deveria.

Há também o problema das fases desnecessariamente longas e as partes de plataforma, já que estamos falando de uma série que em seus jogos modernos possuí muita inspiração em Metroid Prime. Porém enquanto nos jogos da Samus a parte da plataforma funciona de maneira precisa, aqui é tudo estranho e mal encaixado, sendo que mais para o final do jogo o que acontece não é que as coisas melhoram, mas é que você simplesmente se acostuma. Também é impressionante o quanto o pessoal se perde nesse tipo de jogo na hora de colocar chefes, principalmente quando falamos dos principais, é um jogo de tiro em primeira pessoa de arenas e na hora que você coloca um inimigo específico que tem muita vida, a coisa não flui muito bem.

Mas apesar dessas problemáticas que eu expus, ainda sim é um jogo bem divertido e que expande de maneira interessante o universo de Doom, amarrando inclusive a série clássica com a nova. Assim como o que eu disse em Asura’s Wrath, o Doom Slayer, protagonista do jogo, é completamente "foda-se das ideia" e a ação vai escalando cada vez mais de uma maneira tão estúpida, que risadas satisfatórias foram dadas em diversos momentos. O meu único problema é que uma parte considerável da construção do mundo se dá através de fragmentos de texto espalhados pelas fases, que embora sejam bem interessantes, traziam tantos nomes de seres e raças diferentes, que em dado momento eu me perdia completamente sobre quem era quem, desejando que os seres fossem simplesmente chamados de anjos, demônios, Deus, Satanás, etc.

Infelizmente esse jogo tem uma pegadinha, já que o final real da história está em suas DLCs, que por sua vez também são um pouco problemáticas enquanto jogo. Em especial na primeira parte, a dificuldade foi tão elevada, com arenas ainda mais desnecessariamente longas, que no final eu perdi a paciência e só coloquei na dificuldade menor para conseguir passar e seguir em frente. Felizmente a segunda parte é mais equilibrada e até mesmo tem uma batalha final com um chefe mais bem feito do que os anteriores do jogo.

Ainda que eu tenha reclamado muito sobre, considerei ele uma experiência divertida e me deixou bem curioso em como o estúdio levou em consideração as críticas para o Dark Ages, que pretendo jogar com certeza em algum momento no futuro. E só a título de curiosidade, esse foi o último jogo que eu joguei no Windows, já que depois do fim do suporte ao Windows 10 e minha completa falta de vontade com o grande spyware chamado Windows 11, eu resolvi ficar agora exclusivamente com o Linux mesmo, que em termos de jogos hoje em dia já conta com um suporte bem razoável.

Assista a nossa transmissão com o início de Doom Eternal

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Metroid Prime 4: Beyond (Switch)

A visão em primeira pessoa do braço canhão de Samus apontando para o céu, em uma espécie de instalação militar, onde uma guerra está ocorrendo, com algumas naves e tiros ao fundo aparecendo.

Eu nunca escondi ser um grande fã de Metroid e ainda mais de Metroid Prime. A trilogia que começou ali no GameCube e fechou no Wii está entre as minhas coisas preferidas dos videogames. Então é claro que eu fiquei super empolgado quando lá em 2017 a Nintendo anunciou depois de muitos anos a tão esperada continuação, ainda que pelas mãos de outro estúdio. O tempo passou, nada aconteceu e aí veio a notícia: a Nintendo estava passando o projeto para as mãos da Retro Studios, que fez a trilogia original, começando tudo do zero após a insatisfação com o estúdio anterior. Nesse momento eu internamente alinhei minhas expectativas, pensei que a essa altura eles iriam focar no feijão com arroz, fazer um bom jogo, mas nos moldes dos antigos, sem muita invenção de moda: não era o ideal, mas eu estava em paz com essa ideia, o suficiente para me permitir empolgar com o lançamento dele. Mas quem diria que mesmo assim a decepção viria, de uma maneira que eu realmente não esperava.

Metroid Prime 4 não é um jogo ruim, ele é pior que isso: ele é um jogo medíocre, qualquer coisa. Tecnicamente ele é impressionante, mesmo no primeiro Switch ele tem de longe um dos melhores gráficos da plataforma, rodando a sessenta quadros, as músicas são excelentes e os controles perfeitos, com o mesmo esquema moderno introduzido em Metroid Prime Remastered. E o começo dele até que engana, com uma sequência de ação que apesar de não remeter muito ao gênero, lembra muito a de Metroid Prime 3, que eu considero bem legal. Mas ao ir para o jogo de fato, que se passa em um outro planeta com uma grande área desértica ao centro, o jogo mostra realmente os seus problemas.

Primeiro com essa tal área, grande e aberta, que funciona como um ponto de conexão entre as várias outras regiões. O problema é que não há nada de muito interessante para se fazer nessa área e mesmo depois quando você consegue uma moto estilosa para Samus, ir de um ponto a outro segue sendo muito enfadonho. E aí você também percebe que na verdade os desenvolvedores quiseram meio que fazer um Zelda, porque existem umas espécies de santuários, tal qual como em Breath of the Wild, espalhados para você explorar. A ideia nem seria de todo ruim, se esses pequenos santuários não fossem completamente sem graça, com quebra-cabeças muito simples e desprovidos de qualquer desafio, eles estão lá só para falar que existe algo.

E essa sensação de "quero ser Zelda, mas não sei como que se faz" segue ainda pior nas partes onde realmente o jogo acontece, já que todo o conceito de exploração, tão clássico da série Metroid, criador de todo um gênero, é completamente abandonado para sequências completamente lineares, quase como se fossem os templos de... Zelda. Veja bem, eu adoro Zelda, tanto os novos como os clássicos, mas quando eu vou jogar um Metroid, eu quero um Metroid. Em tempos em que nós temos jogos como Silksong, que eleva e expande o que se convencionou a se chamar de "metroidvania" a outro patamar, é triste ver que a série está completamente estagnada e não consegue entregar nem algo razoável em um de seus títulos principais.

E mesmo na parte de história e personagens, a coisa é completamente esquecível. Apesar de toda a comoção durante a época do lançamento com um dos personagens do jogo, a verdade é que ele é o menor dos problemas, todos os outros apresentados são tão chatos quanto, não somente pelo quão são mal escritos, mas pelas interações mecânicas que você é obrigado a ter com eles. Nem vou comentar da história principal ser qualquer coisa e o grande vilão mal fazer diferença na grande escala das coisas. Enfim, só decepção e tristeza por essa série que eu gosto tanto, mas que se perdeu muito nos últimos vinte e tantos anos.

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Hades (Switch)

O personagem Zagreus em um cenário interno visto de maneira isométrica, composto por construções de pedra, velas e um rio cor de sangue correndo por debaixo. Ele está em frente a duas alternativas de caminho, cada um com um símbolo na porta, uma moeda com o símbolo de Hades e uma romã.

Deixando as coisas ruins de lado, vamos falar de coisa boa, coisa muito boa. Putz, como Hades é um jogo foda, né?! Roguelike não é um gênero como o qual eu tenho muito familiaridade, mal consigo lembrar de outros títulos com os quais eu tive contato, mas a forma como Hades consegue fazer a sua mecânica de repetição se encaixar em uma história com uma progressão clara é impressionante. É o tipo de coisa que eu admiro em como videogames conseguem contar as suas histórias através de suas mecânicas e da qual eu reclamei da falta lá em cima em The Last of Us.

A premissa básica é bem simples, você é Zagreu, filho de Hades, deus do submundo na mitologia grega, que por motivos de história quer justamente fugir de lá, algo considerado impossível. Acontece que os outros deuses do Olimpo acabaram de ficar sabendo da sua existência e resolvem ajudar, mandando poderes de luta para facilitar a sua fuga. A cada tentativa frustrada, que ao menos inicialmente serão várias, você sempre retorna a casa de seu pai, onde você interage com outros personagens, vai se inteirando de suas histórias pessoais, desenvolvendo relacionamentos e até mesmo fazendo melhorias permanentes em suas habilidades de combate.

E como se não bastasse o quão foda é a direção de arte, o tanto que Darren Korb acertou mais uma vez em sua trilha sonora, o quão gostoso é esse jogo mecanicamente, toda a parte narrativa, com diálogos e personagens muito bem escritos, ele nos surpreende a cada momento. Zagreu é um protagonista extremamente carismático, mas que claramente ainda está se desenvolvendo enquanto pessoa e tem que lidar com algumas consequências de comportamentos passados. Os outros vários personagens que você encontra pelo caminho também são muito bem escritos, obviamente alguns melhores do que os outros, mas ainda assim é incrível como a SuperGiant, estúdio que fez o jogo, soube pegar figuras já existentes da mitologia grega e dar a cada uma delas a sua própria personalidade, obviamente adaptando uma coisa aqui e outra acolá para favorecer a narrativa. E apesar de estar lidando com histórias de uma mitologia tão permeada de tragédias, tudo nesse jogo tem um clima bem leve, ainda que com alguns momentos de conflito ocasionais.

Hades me pegou de tal forma, que não somente eu fiz questão de explorá-lo o máximo possível, entendendo cada mecânica de arma, poderes dos deuses, fazendo todas as histórias secundárias e aumentando a minha afinidade com cada personagem ao máximo, passando fácil das 100 horas jogadas, que imediatamente eu fiz questão de na sequência iniciar Hades II, mas essa é uma história que vai ficar para o ano que vem.

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Ficam aqui as minhas menções honrosas para aqueles jogos que já apareceram por aqui antes, ou não, que eu joguei um pouco, mas não tenho muito o que falar: o sempre divertido Mario Kart 8 (Switch), meu adorado Street Fighter 6 (PlayStation 4) que eu nunca encontro tempo para jogar, o interessante Rocket League: Side Swap (Android) que acabou não vingando muito no meu celular, o ok Microsoft Jewel (Android ~ Xbox App) que eu só jogo para pegar os pontos da Microsoft, além de Super Mario Run (Android), que também eu só jogo para ganhar moedinhas de prata da Nintendo para pegar avatares novos.

Então é isso pessoas, essa foi a minha lista de 2025 e se você chegou até aqui, parabéns, porque eu tenho plena noção do tanto que eu escrevo e o quão esses textos são longos, não por menos só ficam prontos nessa época do ano, mas é assim que eu gosto, então paciência, rzs. Para o ano que vem eu já tenho pelo menos uma pedrada na lista e no finalzinho do ano passado eu acabei comprando um Switch 2, então esperem por alguma coisa da plataforma, embora não é como se no momento houvessem tantos exclusivos para ela assim, fora o preço proibitivo que os jogos estão.

Reitero mais uma vez os meus votos de um excelente ano para todos nós, com muitos jogos para quem é de jogos e outras coisas que gostem para quem não é, e eu sei que a gente vive em um mundo muito maluco, aí ainda vai ter eleição em outubro e tudo mais, mas otimismo e coragem frente as adversidades são as melhores armas que a gente tem contra esse monte de rico arrombado que quer nos matar. Beijos pessoal e até a próxima!!! =***

outras tags: Asura’s Wrath, Doom Eternal, Hades, Hollow Knight, Hollow Knight: Silksong, Journey, Kentucky Route Zero, Metroid Prime 4: Beyond, Red Dead Redemption, Red Dead Redemption 2, Street Fighter Alpha 3, The Last of Us, The Last of Us Part II, Tony Hawk’s Pro Skater 1+2, Xenoblade Chronicles X, Marvel vs. Capcom Fighting Collection: Arcade Classics e Doom Eternal: The Ancient Gods - Part 1 & 2 (DLC)


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