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A retraída Campus Party MG 2017

Com um público e organização mais desanimados, a segunda edição da Campus Party MG ainda não alcançou todo o seu potencial.

autor Rafael "Tchulanguero" Paes   datahora 10/11/2017 às 08:36:35   tagarelices 0

Com um público e organização mais desanimados, a segunda edição da Campus Party MG ainda não alcançou todo o seu potencial.


Com a carência que Belo Horizonte tem de grandes eventos voltados para ciência e tecnologia como um todo para o grande público, a vinda da Campus Party para a capital mineira no ano passado foi mais que bem vinda. A primeira edição não foi o evento mais grandioso em que eu já estive, mas se saiu muito bem para uma estreia.

Já a segunda edição, que aconteceu na semana passada entre os dias 01 e 04 de Novembro, não me foi tão inspiradora assim, a começar pela divulgação: embora a organização tenha começado muito bem com a confirmação da vinda de Nolan Bushnell, a verdade é que pouco eu vi sendo falado a respeito nas redes sociais até poucos dias antes do evento começar. E haviam muitas coisas interessantes que mereciam algum destaque antecipado.

Menor e mais desanimada

O evento também me pareceu bem mais morno que o ano passado, apesar dos números oficiais dizerem que o total de visitantes subiu de 4000 para 5000 visitantes, sendo 1200 acampados. Não havia muita agitação entre os campuseiros, e os organizadores também não estavam tão animados desta vez. Mesmo as formalidades, como a presença de políticos importantes do estado, ficou concentrada apenas na coletiva de imprensa da abertura, ao contrário do ano passado em que até mesmo o governador Fernando Pimentel esteve presente na cerimônia de encerramento. Embora ninguém ali realmente desejasse a presença de políticos, eu incluso, ficou a impressão de um pouco de descaso. Nem mesmo Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party, ficou para o final do evento.

Tonico Novaes
Tonico Novaes, diretor geral da Campus Party, desta vez pouco tentou animar o público.

A estrutura também sofreu uma redução, perdendo parte do espaço para a FINIT (Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia), o que só aumentou a impressão de menos movimentada. O palco principal também estava menos destacado, embora a organização alegue que isso seja um novo padrão do evento como um todo, que quer fazer os campuseiros se sentirem mais próximos dos palestrantes.

Vale menção também a dois outros pontos, um positivo e um negativo: apesar da total ausência de internet via Wi-Fi, o serviço prestado esse ano estava bem melhor, fazendo jus a tradição do evento. Por outro lado, é bizarro como em um evento que tem a tecnologia como um de seus pilares, não consegue se utilizar de soluções mais inteligentes para amenizar as filas, seja no credenciamento dos campuseiros ou para o (único e caro) restaurante.

Videogames para todos os gostos

Embora videogames não sejam o foco, eles estavam presentes ao longo de todo o Expominas, nos computadores dos campuseiros, nas estações de títulos como Just Dance, Street Fighter e Mortal Kombat, nos campeonatos de Counter Strike e claro, nas apresentações feitas nos palcos. As sobre jogos, aliás, embora inicialmente não tenham me parecido tão chamativas, salvo a de Nolan Bushnell, renderam ótimos temas, ainda que eu tenha sentido falta de alguns desenvolvedores falando especificamente sobre seus projetos em desenvolvimento.

Mulher jogando jogo de realidade virtual
Os visitantes fizeram longas filas para experimentar dispositivos de realidade virtual, como o HTC Vive.

Outra frente dos jogos que marcou forte presença foi a de realidade virtual, em especial na parte externa, aberta ao público geral. Embora em sua maioria os títulos se limitassem a jogos mais simples, alguns desenvolvidos por alunos de faculdades locais, é incrível como a tecnologia desperta a curiosidade das pessoas, que não exitavam em encarar as longas filas apenas para ter um gostinho da "novidade".

Rumo a 2018

Seria injusto dizer que o saldo do evento foi negativo, mas talvez eu tenha sido pego pela expectativa de algo maior do que a edição do ano passado. Mas em alguns aspectos a organização acertou em cheio, como a vinda de Nolan Bushnell, que trás não somente os videogames ao palco principal, como também mexe com a nostalgia de grande parte do público, mesmo aqueles que não são mais jogadores tão assíduos. O tom das apresentações também teve uma melhora ao abandonar um pouco o discurso meritocrático, para tratar de assuntos como representatividade, feminismo e diversas outras questões sociais. Nesse aspecto, o público também se fez mais ativo, sempre trazendo bons questionamentos aos palestrantes.

Equipe Campus Party MG 2017
Equipe da Campus Party MG 2017 posando para foto durante o encerramento do evento.

Por outro lado, ficou claro a utilização do evento pelos políticos como uma espécie de trampolim eleitoral, para criar uma imagem de bons investidores. Não é por menos que a Campus Party ocorre junto ao FINIT, um evento mais voltado para negócios, quase como um bônus ao invés de atração principal, e ainda sob o tema empreendedorismo. Embora eu entenda que esse é um atalho para que o evento ocorra com o financiamiento do governo, que inclusive já garantiu a terceira edição em 2018, me ficou a impressão de que há um certo conflito no entendimento do que a Campus Party MG representa e qual o seu peso. Sinceramente eu espero que a impressão frente ao público tenha sido positiva, que o evento se mantenha e que em um futuro tenhamos edições tão grandes e independentes como a de São Paulo.

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